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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A procura da idade perfeita

O que é ter 20 e poucos anos? 

No auge dos meus 23, uma coisa posso dizer, não é fácil. Principalmente se você não é como seus amigos "everyday I'm party'in" e vê que os anos estão chegando e você ali, indecisa, ainda sonhadora, com um pouco mais de pé no chão, mas ainda sem dinheiro suficiente para caminhar sozinha... Ter 20 e poucos é já ter a pressão do mundo adulto, visto pelo mercado de trabalho como adolescente e visto como uma criança pela família (isso eternamente, agora dá um vacilo... lembram que você já tem mais de vinte rapidinho). 
Aquela imortalidade da adolescência já foi, você sabe muito bem que o tempo passa e que, diferente da ilustríssima música do Fábio Jr, tem muitas novidades que você não cansou de saber, simplesmente porque você não sabe.

Achei esse texto em um fórum de games (OI?), um texto que tinha tudo para ser jogado no power point com fotos de jovens católicos e música do Kenny G, mas não é que eu gostei de algumas passagens? E admito, me identifiquei #prontofalei Admito também que tirei algumas parte, muito emo.com/chorameliga
Como eu sou descolada vou colocar uma foto que muito representa, principalmente para nós mulheres, aquela barriguinha de 20 e poucos anos. Aauhauhauh 




É quando você para de sair com a galera e começa a perceber muitas coisas sobre você que você mesmo não conhece e pode não gostar disso. Você começa a sentir inseguro e pensar onde você vai estar daqui alguns anos, mas de repente se sente inseguro porque você mal sabe onde está agora. Você começa a perceber que as pessoas são egoístas e que, talvez, aqueles amigos que você pensou que era tão próximo que não são exatamente as melhores pessoas que você encontrou em seu caminho, e pessoas que você perdeu o contato eram algumas das mais importantes.
O que você não consegue é que eles percebem isso também, e não estão sendo frios, grosseiros ou falsos, mas estão tão confusos quanto você!

Você olha para o seu emprego... e não é nem perto do que você imaginava que estaria fazendo, ou talvez você esteja procurando emprego e percebendo que vai começar do zero e isso pode te assustar. 

De repente, a mudança é sua maior inimiga e você tenta se agarrar ao passado com a vida boa, mas logo percebe que o passado está cada vez mais longe, e não há nada a se fazer a não ser ficar onde está ou caminhar para a frente.

Você tem seu coração quebrado e pensa como alguém que você amava que pode causar tanto estrago em você. Ou você fica deitado na cama e pensa por que você não poderia encontrar alguém decente o suficiente que você queira conhecer melhor.

Ou às vezes que você ama alguém e ama outro alguém também e não se consegue imaginar porque você faz isso, já que você sabe que não é uma má pessoa.

Ficar com alguém por uma noite ou galinhar começam a parecer ridículo. 

Agir como um idiota se torna patético. Você sente as mesmas coisas e enfrenta as mesmas questões de novo e conversa com seus colegas e sobre as mesmas coisas porque você não consegue tomar decisões. 

Você se preocupe sobre empréstimos, dinheiro, o futuro e construir sua própria vida... e enquanto ganhar a corrida seria maravilhoso, neste momento você gostaria apenas de participar. 

O que você não pode perceber é que todos que lêem isso encontram algo em comum. Estamos em uma das melhores e piores épocas da vida, tentando o máximo que podemos acabar com isso.

Tava esperando AQUELA frase de efeito no final né? Quando li também, mas não rolou, até prefiro assim, não curto a linha Paulo Coelho. 

Yasmin é aspirante a cineasta, toda hora quer dar um rumo diferente na vida, tímida (sim), não tem namorado, e muito menos noção da onde vai parar depois dos 20 e poucos anos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Entre monstros e moçinhos

Outro dia fui a papelaria e ao esperar por uma impressão me debrucei no balcão de vidro. Depois de um tempinho percorrendo os olhos pelo lugar olhei para baixo e vi que estava apoiada em vários papéis. Anúncios, ditados, pensamentos, desenhos, etc. Em uma das folhas estava um papel retangular pequeno escrito: "Como matar um político". Tinha alguns desenhos, algo com humor, mas agora não me lembro bem. Quando vi aquilo eu pensei, "políticos.. o que de tão diferente eles tem de nós?". 

Cara, toda vez que se fala em político aqui no Brasil fala-se de uma forma como se o político nascesse de chocadeira, tivesse vindo do espaço ou então brotado da terra, qualquer uma dessas opções, só para se tornar político. O que o povo esquece é que político vem ao mundo da mesma forma que você veio, e "pior", ele cresce entre nós da mesma forma, só que quando adulto se torna político. Então porque precisamos de uma cartilha para matá-lo como propunha o papel no vidro? Mata-se ele da mesma forma que você morreria. O brasileiro reclama muito, mas não está nem ai para o que acontece ou deixa de acontecer na política do seu país, não só na legislativa, social, mas do seu dia-a-dia. Trocamos voto por benefícios, colocamos parentes em cargos do governo, não temos memória quanto aqueles que estão pedindo o seu voto e quando o assunto é política não tem nem noção do nome do Governador do seu Estado.



Eu não estou aqui defendendo político, de forma alguma, mas me preocupa essa visão de contos de fadas onde existe o mal (os políticos) e o bem (nós, cidadões), onde as coisas se justificam porque há alguém malvado querendo poder e tentando arruinar a vida dos bons, sabe?  
No caso dos políticos esse "mal" sai de dentro do "bem", porque eles nada mais são que pessoas como nós, e se nós somos bons então um dia eles já foram, é nesse ponto que eu queria chegar.

O negócio é que nada na vida é por si só, sozinho, aconteceu por um só meio, tudo está interligado. O político nada mais que o reflexo do brasileiro, do meio em que ele vive, dos exemplos que ele teve de quem, também brasileiro, já esteve no poder. Os políticos somos nós.
Na história do mundo se Hitler teve a possibilidade de governar e criar o Nazismo é porque pessoas o apoiaram e permitiram seu poder, se Bush se tornou presidente e ainda foi reeleito é porque votaram nele, se até hoje Sarney está no poder alguém o elegeu. Está tudo ligado, tudo na mesma circunstância, todo mundo na farinha do mesmo saco. Bush, Hitler, Sarney não são enviados do demônio, não, eles são enviados da nossa própria sociedade.



A mudança que tem que ser feita não é verbal é de atitude, é no nosso dia-a-dia, no nosso meio, nos nossos valores, naquilo que a gente quer ver mudar no Brasil e até no mundo. Não é uma tarefa fácil quando se vive em tempos onde a palavra não tem mais valor e o "salve-se quem puder" é lema, mas se não comerçarmos a mudança dentro de nós mesmo, não vamos conseguir mudar o que está fora de nós. 
É como aquela frase do Mahatman Gandhi: "Seja a mudança que você quer ver no mundo".

sábado, 29 de outubro de 2011

Extendida

Finalmente, após sete anos, a Warner Bros lançou O Senhor dos Anéis - Versão Extendida aqui no Brasil. Maior falta de respeito e burrice com quem é fã, levar tanto tempo assim com um mercado bom por aqui... Enfim, o fato é que nas últimas semanas entrei na Terra Média e não sai mais.



Senhor dos Anéis tem tudo grandioso, tanto a história em si e a qualidade da produção, além de ser um belíssimo filme. Mesmo com uns personagens meio mágicos como o Gandalf e até mesmo o Sauron, a história é uma história de homens, você até pensa que na idade média aquilo ali aconteceu mesmo.. A imaginação de Tolkien e a arte de Peter Jackson, juntos, formam um filme que poderia ter sido a história da humanidade, não na realidade, mas no sonho do ser humano. 
Sabe todas essas coisas que você cresce ouvindo, que o homem (no sentido populacional e ao mesmo tempo próximo) tem que, ou melhor, deve ser: honesto, solidário, fiel, tolerante, respeitar o próximo, todas esses traços de personalidade que está no verbal e não na atitude do mundo? Então, na Terra Média os homens de Tolkien eram dotados de todas essas qualidades, mesmo que alguns tenham "caído na escuridão", a maior parte dos personagens são do bem. Senhor dos Anéis é lealdade, amizade, coragem, e o melhor de tudo, bondade. Ver Aragorn ou Éomer, leais, com carater, força e lutando por algo com fervor, você acaba desejando que a história dos homens tivesse sido assim. Porém, por aqui, a gente sabe que o "certo" é uma  coisa, mas passa a vida fazendo outra.






Tolkien era um cara muito letrado, participou de várias Sociedades e durante a guerra, nos horários livres começou seu primeiro livro, escritos do Similarion. Ele era católico fervoroso e bem conservador, acreditava no poder da união, mesmo que fosse algo tão pequeno como um anel. Tolkien acreditava, sim, nos fenômenos ocultos, mas cria, acima deles, na intervenção divina na ordem “natural” das coisas. Ele confiava que os eleitos estão sob a proteção de Deus, o que fica muito claro nas inúmeras situações de “salvação” vividas por Frodo.  Em O Senhor dos Anéis, a moral vai se revelando por meio da ação das pessoas que vão mostrando na prática a maneira correta e a equivocada de agir.




As paisagens são de tirar o fôlego e a vida nos diferentes reinos é perfeitamente reproduzida! Rohan, Minas Tirith, Valfenda, o Condado, tudo feito miniciosamente para parecer o mais real possível. A escolha dos atores também é muito boa. Todos ali encaixaram perfeitamente no personagem, você não sente nenhuma forçassão. 

Mas uma das coisas que me faz mais gostar de Senhor dos Anéis são as mulheres. Assim como nos filmes de Hitchcock as mulheres não são mero objeto de decoração ou esposa de alguém, elas são delas. Arwen e Eowyn são verdadeiras guerreiras, que acreditam e impulsionam os homens. Adoro duas partes da Eowyn: Uma é quando ela mata o Nazgul e o Cavaleiro Negro e ele fala: "Seu tolo, nenhum homem pode me matar" Ai ela tira o capacete da cabeça, saca a espada e fala: "Eu não sou homem" e o mata. 
Tem uma tb, e Rohan, quando Aragorn pergunta o que ela teme e ela diz: "Uma jaula, onde eu tenha que ver meus sonhos e meus desejos passarem por mim e eu não poder alcança-los" É meio mexicano frase de efeito, mas é maneiro:

A cage

sábado, 30 de julho de 2011

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ética no Jonalismo

     Como o post sobre a objetividade no jornalismo escrevi outro texto para faculdade no mesmo estilo: leitura e opinião. O professor é o mesmo, grande mestre Fernando de Almeida Sá, mas agora a matéria é Ética. Ele trabalha esse semestre com o livro "Ética da Informação" de Daniel Cornu.
     O texto não está na íntegra, pois, aqui no Blog, ficaria muito extenso. Porém, os trechos mais relevantes estão copiados. Vale lembrar que o intuito do texto não foi disucutir a ética e toda as suas vertentes, somente a relação Ética/Jornalismo.

     Eu não acredito na ética. Essa ética sempre atrelada ao discurso do moralista ou discutida na TV, não, não mesmo. Falar sobre isso me lembra a questão da objetividade no jornalismo: Os jornais levantam a bandeira da objetividade como o principal compromisso com o leitor, mas todo mundo sabe que isso não passa de história para “massa” dormir. Um porque é impossível se separar da subjetividade e outro por questões econômicas e políticas.

     Ao ler o livro e me deparar com a Declaração dos Deveres e Direitos dos Jornalistas, mais conhecida como Declaração de Munique, tenho a sensação de ser um documento utilizado da mesma forma que o dos Direitos Humanos: está no papel, porém, o cotidiano do mundo mostra que esses direitos não são seguidos. Os mesmos só são “lembrados” quando acontece algo que choca a população e alguém levanta para dizer que é inadmissível aquele fato, respaldado nas leis dos Direitos Humanos.

     Não quero dizer que sou contra leis, regulamentações, senso e até mesmo contra a ética, não é isso. O que quero dizer é que ela existe enquanto lei, regulamentação, enquanto superego, principalmente se estiver em relação com o jornalismo. Acho que leis e governo são pilares para ajudar o Estado na estruturação de uma vida civil mais harmoniosa, pois limites são necessários em qualquer construção, seja ela de cunho subjetivo ou social, e a ética também entra nisso. A crítica acontece não pela existência de todas as vertentes que a ética cria em torno dela, mas sim porque ela não é sentida. A tal “ética” me lembra o discurso do homem por toda sua história: fala da paz fazendo a guerra.

     Peguei três pontos do livro que podem ilustrar bastante as afirmações acima: O respeito à pessoa humana, o respeito à vida privada e a pressão tecnológica na rapidez da matéria.

     A pressão tecnológica se acentua ainda mais nos dias de hoje como, ao meu ver, uma das piores questões para o jornalista lidar. Desenvolver texto ou qualquer outra atividade sobre pressão, quase sempre resulta em um péssimo trabalho. E se esse trabalho ganha mais importância pela velocidade que sua disseminação acontece do que pelo seu conteúdo, a ética passa ainda mais longe das redações. Hoje o tempo que se tem para investigar, analisar, escrever, revisar e, ai, publicar é muito curto! Enquanto você está preocupado com a qualidade e veracidade do texto outro veículo, mesmo sem ter certeza de todas as informações, já deu a notícia e aquela matéria não é mais informação. A chegada da televisão enfatizou essa problemática para o impresso e com a chegada da Internet, agora até ela está “ultrapassada” na informação. Para o impresso ficou ainda pior, antes de ser lido já está enrolando o peixe da feira, coisa que só acontecia no dia seguinte. Com essa velocidade que é digna de máquinas e não de homens, publicar algo falso, que possa difamar alguém perdendo o respeito pelo ser humano e pela vida privada da pessoa, é bastante provável que aconteça, pois não se teve tempo para averiguar com ética e bom senso aquela informação. E é nessa hora, na vida real, no cotidiano, que Declarações, Direitos e ética vão pro ralo, tanto pela pressão da rapidez, mas também por um outro lado, o lado de quem lê.

     Muitas pessoas reclamam do conteúdo jornalístico dos meios de comunicação, dizem que só falam de violência, sexo e celebridades. Porém, o mais curioso, é que esses conteúdos são os mais vendidos nas bancas, vistos na TV ou acompanhados na internet, e se tirarmos esses elementos, a audiência e as vendas caem vertiginosamente. O público pede por essa invasão da privacidade alheia, pede por esse desrespeito ao ser humano quando, por exemplo, acontece alguma situação de violência e aquilo é veiculado livremente sem uma ética para amenizar imagens ou depoimentos. Os paparazzos são outro exemplo disso, são frutos de um desejo humano de saber da vida do outro sem escrúpulos, uma curiosidade acompanhada sempre do julgamento, que ultrapassa todos os limites da ética de direito a privacidade.
      A falta de ética do jornalista não é só dele, é do seu público também. É do ser humano, é do instinto, aquele que não dá para ser domesticado, aquilo que passa longe da objetividade.
     Na verdade, eu poderia ter pegado todo esse texto e ter resumido em uma só frase do ilustre Nelson Rodrigues: A Ética é a estética que vem de dentro. 



E quem não conhece esses dois?


domingo, 15 de agosto de 2010

Sobre o jornalismo e o conceito de objetividade

      Levantei hoje com vontade de dar uma geral em tudo, inclusive no Mac. Essa mania de sair lendo tudo, baixo um monte de arquivos que leio e depois não jogo fora, o que não vale a pena, claro.
    Nessa "faxina virtual" achei um trabalho que fiz ano passado, para matéria de Teoria do Jornalismo, com o mestre Fernando Almeida de Sá. Digo mestre porque esse é mesmo, não participa do pacto de mediocridade da educação brasileira... O trabalho consistia em falar sobre o que o aluno achava do conceito de objetividade e relacionar com um dos filmes passados em aula. Não preciso explicitar a opinião aqui, nessa introdução, ela está claramente presente no texto:

            Comentário sobre o Jornalismo Audiovisual 
         Em 1513, o filósofo Nicolau Maquiavel escreveu em sua mais famosa obra,“O Príncipe”, que a natureza do homem é movida por suas paixões. A história da humanidade era, portanto, cíclica, pois o homem a construía em cima das mesmas emoções, expressando-as de modos diferentes em cada época. Nesse tempo, a imprensa começava a tomar forma e Maquiavel não chegou a viver seus dias com esse mecanismo de informação. Mas será que se ele tivesse vivido os tempos “pós-Gutenberg”, seria capaz de dizer que todos os homens são movidos por suas paixões, menos os jornalistas, que ao relatarem um fato, coloca-as de lado e escrevem o acontecimento sem nenhuma intervenção subjetiva?
       É nesse argumento que se sustenta a Teoria do Espelho, as notícias são o que são porque a realidade assim a determina e o jornalista que a escreve, como diz o parágrafo da segunda opção de comentário: “(...) deve ser mero intermediário entre a realidade e o receptor, sem qualquer intervenção subjetiva”. Essa teoria está enraizada até hoje nas grandes redações e é objeto de constante defesa por parte daqueles que insistem em dizer que o recheio de suas pautas é contido de ingredientes como total transparência e objetividade real.
       Esse é um difícil discurso a ser aceito. Ao olharmos para uma situação trazemos conosco uma lente, essa lente não é somente de aumento, é uma lente de bagagem. Tudo aquilo vivido, lido, escutado, aprendido, entra em ação quando nossos olhos fisiológicos miram algo e automaticamente jogam a imagem na mente gerando a interpretação. A interpretação é feita em conjunto dessa “aparelhagem” que trazemos e que não pode ser separada ou anulada na elaboração de uma notícia porque ela é subjetiva, pessoal e intransferível. Querer dizer que o olhar é puro, a objetividade integralmente presente e negar a influência do estado pessoal do jornalista, é pura demagogia.
      No filme “O Jornal” isso fica claro quando a diretora (Glen Close) de um famoso jornal norte americano coloca seus feridos sentimentos sobre o editor (Michael Keaton) e o impede de publicar uma notícia verdadeira em troca de uma errada, somente para que ele não vença a disputa de ego que há entre os dois. 

Glenn Close e Michael Keaton em "O Jornal"

       Será que Maquiavel perdeu a valiosa chance de conhecer uma parte dos homens que conseguem a espetacular façanha de em oito horas por dia deixar de lado sua subjetividade e paixões para entrar em uma redação? Ou será que esses homens esqueceram de dizer que não são meros robôs e que a influência pessoal acontece sim, porém seu compromisso com a ética com o público é sempre buscado ao máximo na elaboração da sua notícia?
Fico com a segunda opção, pois sou a favor do homem pensante, crítico, existencial e de um jornalismo munido de diálogo com o leitor, opinião e transparência dentro do que ela realmente pode oferecer e não a que um falso espelho pode apresentar. 

terça-feira, 6 de julho de 2010

Coisas que ninguém me disse II

       Como que isso acontece? Com que permissão? Calma ai, não era para sempre?? 
       No post anterior a primeira tirinha fala de um príncipe encantado que nunca chega. E se, além dele não chegar, vir o vilão? Tenso.

       Sei que de todos os vilões, de qualquer desenho, de qualquer reino,  nenhum é tão seco e cruel quanto aquela que tem o poder de matar sorrateiramente. Sem dizer frases diabólicas, avisar mandando um fiel escudeiro atrapalhado ou sequestrar por um curto período o lado bom da força e no final perder, ela chega sem antes ser conhecida, sem ser anunciada, e causa um estrago instantâneo quando pisa no reino. Ela, a morte, não espera nada nem ninguém, e mesmo se você é do bem, ela não quer saber, todo mundo para o mesmo caldeirão!

       Deixando o conto de fadas de lado, falar sobre a morte é algo que se fala a todo momento, mas quando se sente, a história é outra. Justamente por ser tão difícil, comecei o texto falando dessa forma,  usando de metáfora para conseguir ir adiante, uma metáfora boba de contos de fada para falar do assalto que sofre a alma quando alguém querido te deixa...


       O que mais me deixa indignada é como em segundos a vida te tira quem você ama a anos!!! Saber que nunca mais você vai conversar com aquela pessoa, que ela nunca mais vai te ligar e contar sobre seu dia, ouvir ela chamar seu nome de forma carinhosamente errada, caminhar na mata, aprender sobre as montanhas da natureza e da vida, sobre a história do homem e sua literatura,  sobre  suas queridas abelhas, sobre música clássica e os imperadores romanos... Como assim??? Como assim nunca mais? Como assim, em segundos, sem te preparar, sem te dizer nada?!!! É um golpe em tudo, sabe aquela expressão: "uma facada no estômago"? Então, é no estômago, no coração, no fígado, no pulmão, é uma facada em tudo. Na mente? Nem falo nada...

        Em algum lugar do passado li essa frase, não me recordo aonde, mas era assim: 
                     
"A saudade é a memória do coração"
 
        Essa frase é curta e simples, mas muito bela e intensa... É exatamente isso  que sinto. É como se o coração virasse uma secretária eletrônica quando alguém morre: vários recados deixados e agora só eles que trazem aquela voz novamente, pois nunca mais aquele número vai te ligar, sendo assim, a memória da secretária, ou melhor, do coração, vira a eterna saudade do que já foi dito e de dizer alô novamente...
        Mais uma vez minha bochecha se enche de lágrima e aqui (mesmo não sendo o intuito desse blog, tratar de acontecimentos pessoais) deixo um pedaço de mim. Outro pedaço foi com ele, outro está na minha cidade natal (na qual não posso estar agora, o que dói ainda mais..)  e agora resta saber qual que está aqui a escrever...

Obrigada por tudo vô, obrigada por tudo Grande Foco...

domingo, 27 de junho de 2010

A vida é colorida, a realidade é preto e branca

       Aluguei ontem "A identidade de nós mesmos", do Wim Wenders. Comecei a gostar desse diretor em "No Decurso do Tempo", a admirar em "Um Truque de Luz" e agora a ficar fã com esse filme.
        Em "A Identidade de nós mesmos" Wenders fala sobre a questão da identidade em um mundo com tanta diversidade, do quanto essa diversidade influencia e causa exatamente a perda da identidade, do real, do que é possível, do ser humano e que pior, a identidade está fora da moda. Ele fala sobre isso através de um estilista que muito admira, o japonês Yohji Yamamoto. 
       Uma vez, ao comprar um paletó e uma blusa, Wenders se sentiu tão bem que se assustou. Aquela roupa trouxe uma sensação nostalgica, um cheiro da infância permeou seus sentidos, ao colocar aquela roupa que lhe caiu tão bem. Aquilo o deixou curioso, pois há tempos não se via tão bem no espelho,  viu ali um quê diferente, um quê de realidade, foi assim que chegou até Yamamoto.

Win Wenders e Yohji Yamamoto
       O filme é praticamente um documentário e é meio parado,  tanto o diretor quanto Yamamoto falam calma e pausadamente, o que faz com que o espectador possa digerir aos poucos as informações que recebe. No clima da Copa eu estava mais era pra "Missão Impossível" (com esse time...voltando!) mas esse me chamou bastante atenção não só pelo todo, pelos takes aonde tinham três imagens diferentes ao mesmo tempo (só vendo para ver como ficou boa essa montagem) e pela forma como Yohji toca seu trabalho. Fica clara o porque da admiração de Wenders pelo estilista e em uma parte do filme acontece essa seguinte situação:

Wenders (locução): - Perguntei a Yohji sobre estilo. Como ele poderia apresentar uma dificuldade enorme para criatividade... O estilo podia se tornar uma prisão, uma sala de espelhos onde você só consegue se espelhar e se imitar. Yohji disse que conhecia bem esse problema, e que claro, havia caído nessa prisão.
"Escapei dela - ele disse - quando aprendi a aceitar o meu estilo e de repente, a prisão se abrira."
Isso para mim é um autor: alguém que, para começar, tem algo a dizer, que sabe se expressar com sua própria voz e que finalmente encontra em si a força e a insolência necessária para se tornar o guardião de sua prisão, e não continuar prisioneiro.

Essa parte é sensacional
Por quantas vezes repetimos os mesmos pensamentos, permanecemos nas mesmas dúvidas, com medo de estabelecer um pensamento final.  
Por quantas vezes desejamos ser aquilo que não somos, aquilo que não temos, aquilo que parece ser mais bonito, colorido, prazeroso, mas que no final tem as mesmas dúvidas, insatisfações, angústias que nós. Apenas se apresenta mais colorido, e por assim sendo, não é real.
Se pegarmos o que temos em nós e aceitarmos como o melhor que podemos ser e oferecer, com certeza a mente abre para que aquilo sofra, ou melhor, ganhe, uma explosão de criatividade, de beleza, de satisfação, fazendo com que possamos nos surpreender com nós mesmos! É como se o caminho antes ocupado pelo desejo de ser outro (obs: não confunda ser o outro com mudar a si próprio..) fosse uma verdadeira prisão e ao reconhcer aquilo que se tem e fazer o melhor com isso,  você se torna o guardião do conhecimento, saindo do lugar de prisioneiro para o do ser livre.
Yamamoto é um dos mais bem conceituados estilistas dessa época e seu trabalho se destaca não por detalhes exuberantes, modelos dignos de Grécia antiga ou status, mas sim porque simplismente as roupas caem bem nas pessoas, afinal, aquelas que as vestem, são reais. 
"A vida é colorida, mas a realidade é preto e branco" é uma frase dita em outro filme do Wenders, o qual ainda não assiti, mas será minha próxima locação. Não preciso comentar mais nada, ela resume o modesto parágrafo que acabei de escrever...

Abaixo o trecho do filme no qual essa parte acontece:

       
       No próximo post vou abordar essa questão do ser, da roupa, do corpo real. Ela também é trabalhada no filme e vale trazer aqui, só que estou cansada e amanhã tem jogo, quero tocer bastante!
Depois que o colorido da Copa passar, volto para o preto e branco da vida...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Trailers USA x Europa

        Há um bom tempo estou para fazer esse post, depois do filme que vi na última sexta, me deu mais vontade ainda de escrever.
        Fui ao cine ver "O Escritor Fantasma"(2010) o novo filme do Roman Polanski. A única coisa ruim é essa tradução (com o perdão da palavra) escrota que fizeram do nome original "Ghost Writer",  (ao pé da letra a tradução está certa, o problema é esse mesmo, está certa somente ao pé da letra!!) fora isso, o filme é muito bom. Roteiro, direção, elenco, edição, gostei bastante! Mas outro dia falo mais do filme, o que quero falar é sobre os trailers!
      Toda vez que fico sabendo de alguma estréia que me interesse, já corro para ver o trailer no Youtube, ás vezes, já vi no cinema, mas quero rever para entender mais. Ao  escrever o nome do fiilme obviamente aparece um monte de vídeos relacionados, e nesse monte vem os trailers,  principalmente a versão americana e a versão do país de origem (quando não os EUA) . Nesse caso, o novo de Polanski é produção França, Alemanha e UK, ou seja, europeu.
     É ai que eu fico sempre intrigada, existe uma diferença na narrativa do trailer americano para o europeu. A primeira vez que vi o trailer de 'Ghost Writer' foi a versão britânica, nela o filme fala por si só,  logo saquei que aquela não era a versão americana. O cinema americano tem uma mania irritante de fazer todos os seus trailers muito parecidos: as cenas mais marcantes (mesmo que  elas tenham o tempo de só um segundo no filme, principalmente se tiver sexo); 'diálogos' de uma frase só (e claro, A frase), aquela música que cresce no trailer, como se o filme fosse o melhor suspense já feito; aquelas frases de impacto nos caracteres e a opinião dos críticos, que ganha mais espaço que o próprio filme no trailer. Ah! Fora que sempre tem que ter algo temível, que vai acabar com a humanindade e só a C-I-A, sim, só ela, pode salvar o mundo. É claro que se for um drama que não envolva nada disso, a (OMG!) C-I-A não vai estar presente, mas com certeza uma palavra de super impacto que cause medo vai ser pronunciada.
        Ai você vira e me fala: mas é claro, afinal o trailer é um resumo do filme que tenta convencer o público de que o lançamento vale a pena ser visto. Sim, é isso mesmo! Mas porque não deixar o filme falar por si só? Por exemplo os trailers de Ghost Writer: 

Versão USA (a incorporação não era permitida)

Versão UK



        As duas versões são bem parecidas, mas há nitidamente uma diferença na narrativa entre os dois. Na primeira: elementos, cortes, frases, trilha sonora falam pelo filme; na segunda diálogos menos cortados permitem ao expectador ir desvendando por si só o tema central da trama. Recursos de edição também são utilizados, mas bem menos infatizados, o que importa é o filme.
          
      Outro ótimo exemplo é "A Última Amante"(2007) da diretora francesa Catherine Breillat. Lembro que fui vê-lo por acaso, estava passando e resolvi assitir. Gostei tanto que quando cheguei em casa a primeira coisa foi pesquisar mais sobre ele. Quando vi os trailers fiquei indignada! O trailer americano consegue pegar as cenas mais picantes (inclusive a de um beijo lésbico, que no filme é uma situação besta, trazido para o trailer como se fosse uma das cenas principais) e bombardiar de críticas  com palavras em caixa alta enquanto as imagens rolam ao fundo. Ora eu não querio saber quem falou o que, o que achou, como foi recebido, quero ver o filme ué!! Não precisa disso... no trailer francês, o filme fala por si só:

Versão EUA



Versão França


Sinceramente, fikadika para quando você for procurar um trailer no Youtube  ;)

sábado, 5 de junho de 2010

O sentimento explica

No final de tudo:
eu,
vc,
o amigo,
a caixa do supermercado,
a mãe, 
o atleta,
o traficante,
a professora,
o gay,
o playboy,
a massa,
o senador, 
o médico,
o nerd,
a sobrinha, 
o cineasta,
o falso moralista,
o engenheiro,
o agricultor,
o homofóbico,
a criança,
a invejosa,
o mundo,
querem a mesma coisa,
amor.
E pela falta dele que estamos assim.
Parece clichê, mas não é.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Free

        Ainda na inspiração de Truffaut e seu Antoine Doinel...



      "Peguei meu passado, guardei em um pote de vidro e coloquei na estante das lembranças. Agora cabe a mim abrir esse pote ou não, mesmo sabendo que ele sempre estará lá."

        "A maioria das pessoas não vivem, elas apenas existem..." Oscar Wilde

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Metropolitan Museum - NY

        Estou meio sumida, admito. Mas ás vezes os compromissos reais excedem, e a vida virtual fica um pouco parada. O jogo de palavras que é possível se fazer com "virtual" e "real" é infinito, cabe saber para qual se dá mais atenção, para qual está a maior dedicação, em qual você vive mais...
       É virtualmente que em um clique posso ver pelo Google Earth (essa ferramenta é sensacional!!) como é Bangcock, como está  La Paz, o interior da França! Agora, o programa também conta com o Youtube, ao navegar pelos lugares, se tiver o símbolo do site, pode contar que terá uma visão mais real ainda: um vídeo sobre o lugar. 
       Para quem adora tecnologia e a utiliza bastante em seu cotidiano, da forma como falo, aparenta ser uma pessoa deslumbrada com a internet e seus recursos, que só agora soube dessas coisas e acha tudo fantástico! Não, não é isso. A questão é que pode entrar e sair modernidades que eu vou continuar a achar no mínimo intrigante um papel ser copiado em Tóquio em um telefone e sair exatamente igual em um outro telefone aqui no Brasil. Eu admito, fax me dá medo! ahahaha É sério, é muito bolante (por mais que você saiba e entenda como acontece esse processo) pensar que um papel pode ser transmitido assim, nessa facilidade, de um continente para o outro!! Como assim??!! ehehe E olha que diante das novas tecnologias, o coitado já está super passado!
       O fato é que usando o Google Earth e jogando o nome Metropolitan Museum encontrei um vídeo massa sobre o museu! Um dos vídeos mais completos que já vi sobre um lugar repleto de arte, aonde andar por seus corredores é conseguir, uma vez na vida, viver o passado no presente. Não só lá, mas no geral, em todo museu, é isso que acontece: um contato com um mundo que não foi seu mas que significou muito em sua época, agora você olha como observador, mas aquilo, de alguma forma, ajudou a construir a sua história, ou não...
       O Metropolitan foi fundado em 1870 e hoje tem um acervo com mais de 2 milhões de peças, que vem de 8.000 a.C até o presente momento. Tudo é história e até mistério dentro de tantas  preciosidades, a parte egípicia e os quadros impressionistas chamam a atenção. Quadros de Monet, Van Gogh, Renoir, Pissarro, Goya, Vermeer, todos esses pintores em um lugar só!! Não vejo a hora também,  de percorrer o The Cloisters, uma parte do museu especializada em arte e arquitetura da Europa Medieval.  
       Até hoje o museu mais interessante que já conheci, foi sem sombra de dúvidas, o Vaticano. Um verdadeiro tesouro, administrado por verdadeiros caçadores de tesouros... Enfim, infelizmente o percorri muito rápido, com excursão não dá para se deliciar. Com certeza voltarei para ver cada peça como merece ser vista, e espero, que esse em NY, também seja um colírio para os olhos e cor para alma.

sábado, 13 de março de 2010

Pueira


          
          O Museu de História Natural dos Estados Unidos fez um vídeo reunindo todas as informações que os cientistas já conseguiram obter do universo.
        O vídeo começa com um plano aéreo das montanhas do Himalaia, na Ásia e vai subindo, subindo, subindo...
         Quando vejo uns vídeos assim, ou até mesmo quando vejo uma única foto do sistema solar, indago o porque de muitas coisas no mundo. Poderia citar muitas, mas a mais latente é a construção de uma narrativa duplicada.
        Separo em minha mente um quadro com essas imagens e outro com imagens de ditadores, religiosos, conservadores, moralistas, políticos, etc, em seus palanques, palcos e muitas vezes, dentro da sua própria casa. Nessa imensidão mergulhada no mistério aonde se encontra nosso planeta, é impossível não questionar os discursos dessas pessoas que julgam saber o que é o bom, o melhor, o certo. Na cegueira de seus olhos mentais, não conseguem perceber o quanto nós nada somos, quão pequeno é o espaço que ocupamos,  não sabemos nem aonde ele termina, como somos apenas uma pueirinha nas estrelas. E se nós mesmos já somos tão pequenos, imagina o tamanho que não fica o discurso dessas pessoas...
         Será que um dia alguém ou alguma coisa vai enjoar dessa pueira e resolver fazer uma faxina, tirando o pó da casa?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fogos de artifício que não queimam


        Uma vez um amigo (Rudááá) me enviou um trecho de um livro que ele dizia lembrar-se de mim quando lia. E que bom que lembrou.

        O fato é que se tratava do livro On the Road, escrito pelo Jack Kerouac e lançado em 1957. Foi sucesso e passou a ser chamado de "bíblia hippie" na época, pois sua inspiração veio de da viagem que fez, por sete anos percorrendo a rota 66, que cruza os EUA na direção leste-oeste, com descidas freqüentes ao México. Mas antes de On the Road, Kerouac tentou escrever um romance, falando sobre os tormentos que sofria para equilibrar a vida selvagem da cidade com os seus valores do velho mundo.
        Forte influenciador do movimento beatnik, um pouco antes da sua morte sai da cidade e decide se isolar do convívio humano. Subiu até o alto de uma colina e passou longos dias sozinho confinado em uma cabana sem eletricidade e sem vidros nas janelas. Tomava quase uma garrafa de bebida por dia e sofreu com alucinações e paranóias.
        Morreu com 47 anos de hemorragia causada pela ingestão de bebidas.

        Porque as pessoas que escrevem bem, sobre assuntos diferentes, de forma diferente, para pessoas diferentes... Geralmente terminam dessa forma? Com a palavra Edgar Allan Poe: "Muitas pessoas já me caracterizaram como louco, resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência".

"(...) sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, agora, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante — pop! — pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos “aaaaaaah!”"

-- Jack Kerouac, On the road

        Nesse momento Walter Salles está terminando a pós-produção do seu próximo filme, que será o On the Road do Kerouac. A ansiedade só não consegue ser maior porque já não cabe dentro de mim mesma...