Há um tempo atrás escrevi um extenso post sobre Wim Wenders e seu filme "A Identidade de Nós Mesmos". Ontem comecei a ver o doc "Tokyo Ga", uma viagem de Wenders a Tóquio de Yasujiro Ozu. Por coincidência os dois filmes tem algo japona, já que em "A Identidade de Nós Mesmos" o personagem principal é o estilista japonês Yohij Yamamoto.
A narração de Wenders, em qualquer um de seus filmes, é afrodisíaca. Seu olhar existencial e sua voz calma e madura aos poucos vão construindo um novo olhar dentro daqueles que veem seus filmes.
Asiáticos sempre foram conhecidos por sua introspecção, disciplina, tradicionalismos e uma "secura" no tratamento, principalmente para nós brasileiros que ao ver um conhecido nos jogamos em seus braços com um bom e alto "há quanto tempo não te vejo". Para os asiáticos, ou pelo o menos a imagem deles que nos temos, essa vontade de expressar o sentimento seria reprimida a um rápido e cordial baixar a cabeça e voltar.
Win Wenders, assim como Ozu em muito de seus brilhantes filmes, mostra um outro lado asiático, um sorriso escondido, uma gentileza livre, uma alegria atrás da tradição dos cumprimentos e das relações humanas.
Não é fantástico quando temos um olhar sobre algo e outra pessoa ou situação vem e muda completamente a imagem e opinião?
Pelo olhar detalhista e admirável de Wenders é possível, seguido de sua narração então, é ainda mais interessante.
Finalmente, após sete anos, a Warner Bros lançou O Senhor dos Anéis - Versão Extendida aqui no Brasil. Maior falta de respeito e burrice com quem é fã, levar tanto tempo assim com um mercado bom por aqui... Enfim, o fato é que nas últimas semanas entrei na Terra Média e não sai mais.
Senhor dos Anéis tem tudo grandioso, tanto a história em si e a qualidade da produção, além de ser um belíssimo filme. Mesmo com uns personagens meio mágicos como o Gandalf e até mesmo o Sauron, a história é uma história de homens, você até pensa que na idade média aquilo ali aconteceu mesmo.. A imaginação de Tolkien e a arte de Peter Jackson, juntos, formam um filme que poderia ter sido a história da humanidade, não na realidade, mas no sonho do ser humano. Sabe todas essas coisas que você cresce ouvindo, que o homem (no sentido populacional e ao mesmo tempo próximo) tem que, ou melhor, deve ser: honesto, solidário, fiel, tolerante, respeitar o próximo, todas esses traços de personalidade que está no verbal e não na atitude do mundo? Então, na Terra Média os homens de Tolkien eram dotados de todas essas qualidades, mesmo que alguns tenham "caído na escuridão", a maior parte dos personagens são do bem. Senhor dos Anéis é lealdade, amizade, coragem, e o melhor de tudo, bondade. Ver Aragorn ou Éomer, leais, com carater, força e lutando por algo com fervor, você acaba desejando que a história dos homens tivesse sido assim. Porém, por aqui, a gente sabe que o "certo" é uma coisa, mas passa a vida fazendo outra.
Tolkien era um cara muito letrado, participou de várias Sociedades e durante a guerra, nos horários livres começou seu primeiro livro, escritos do Similarion. Ele era católico fervoroso e bem conservador, acreditava no poder da união, mesmo que fosse algo tão pequeno como um anel. Tolkien acreditava, sim, nos fenômenos ocultos, mas cria, acima deles, na intervenção divina na ordem “natural” das coisas. Ele confiava que os eleitos estão sob a proteção de Deus, o que fica muito claro nas inúmeras situações de “salvação” vividas por Frodo. Em O Senhor dos Anéis, a moral vai se revelando por meio da ação das pessoas que vão mostrando na prática a maneira correta e a equivocada de agir.
As paisagens são de tirar o fôlego e a vida nos diferentes reinos é perfeitamente reproduzida! Rohan, Minas Tirith, Valfenda, o Condado, tudo feito miniciosamente para parecer o mais real possível. A escolha dos atores também é muito boa. Todos ali encaixaram perfeitamente no personagem, você não sente nenhuma forçassão.
Mas uma das coisas que me faz mais gostar de Senhor dos Anéis são as mulheres. Assim como nos filmes de Hitchcock as mulheres não são mero objeto de decoração ou esposa de alguém, elas são delas. Arwen e Eowyn são verdadeiras guerreiras, que acreditam e impulsionam os homens. Adoro duas partes da Eowyn: Uma é quando ela mata o Nazgul e o Cavaleiro Negro e ele fala: "Seu tolo, nenhum homem pode me matar" Ai ela tira o capacete da cabeça, saca a espada e fala: "Eu não sou homem" e o mata.
Tem uma tb, e Rohan, quando Aragorn pergunta o que ela teme e ela diz: "Uma jaula, onde eu tenha que ver meus sonhos e meus desejos passarem por mim e eu não poder alcança-los" É meio mexicano frase de efeito, mas é maneiro:
Foi divulgada a primeira imagem oficial do novo longa de Pedro Almodóvar, La Piel que Habito. As filmagens terminaram em janeiro e o lançamento oficial será dia 9 de setembro. Antes disso, o filme será exibido no Festival de Cannes.
O longa é baseado na obra de Thierry Jonquet, 'Tarántula', e conta a história de um cirurgião plástico (Antonio Bandeiras) que após a morte de sua mulher em um acidente de carro se interessa pela produção de uma pela que poderia tê-la salvado. Na verdade o enredo ainda não está muito claro, mas Almodóvar adianta que "Será um filme terror, mas sem sustos e gritarias. Não vou respeitar nenhuma regra do gênero. É o filme mais chocante que já escrevi e o personagem de Bandeiras é brutal!", segundo sua entrevista para o jornal El País.
Agora é esperar, ansiosamente, para ouvir e ver: La Piel que Habito,
E quando você não sabe pintar, não tem o dom do desenho, da mágica, do violão, da costura... e ainda não tem o dom de ficar parado?
Depois que se tem liberdade e espaço para se fazer o que quer, é colocar 'Break on Through' do Doors na vitrola e sair acontecendo. Mas não tendo talentos, fica a procura do que fazer nesse espaço, então que tal cozinhar? É, isso mesmo, c o z i n h a r. Qual o dia você acordou e não teve que, alguma hora, se direcionar a comida? E se ela for incrementada, colorida, saborosa, não se torna uma obra de arte mesmo que por pouco tempo?? ;p
Venho cozinhando bem mais, ainda não faço um javali, mas estou a descobrir um mundo de cheiros e texturas que não conhecia. Parece papo de deslumbrado, mas que nada, descobrir algo já é maneiro, imagina redescobrir o que você vê de um jeito há anos? ;)
Inspirada nessas paradas, lembrei de um filme, muito fofo: Julie e Julia. Lançado ano passado, conta a histórias de duas meigas e inteligentes mulheres em épocas diferentes. Julie, vivida 'fofamente' por Merly Streep, vive nos anos 40/50 e é casada com um diplomata. Viaja o mundo, cai na França, descobre uma paixão enorme por cozinhar e depois de muito aprender cozinha francesa em Paris, lança um livro. Julia, interpretada pela meiga Amy Adams, vive no Queens, em Nova York, e trabalha como telefonista em uma central de serviço americana. Saturada da rotina começa a cozinhar todas as receitas escritas por Julie e faz um diário virtual no qual escreve toda sua experência. Aluguei hoje para rever, é literalmente massa!!
Julie e Julia foi um dos melhores que vi ano passado, não o coloquei na lista porque quis citar poucos, mas com certeza ele vale a pena ser visto!
Final do ano: um calor africano no Rio de Janeiro, compras no centro, comidas de sempre na mesa (e aqueles fios de ovos em volta do peru com uma cereja em cima? e as nozes, castanhas, figo, todos disponibilizados no mesmo duralex? ¬¬ ), perguntas de sempre (qual são seus planos para 2011? ¬¬), aquele parente SUPER legal que você não vê o ano inteiro e que vem todo íntimo perguntando se você está namorando, aquelas músicas natalinas na caixa de som para fora das lojas... um verdadeiro CAOS!
Mas o fato é que durante o ano temos refresco: um bom filme.
Então liga o ar-condicionado, senta na poltrona, finge que não tá vendo aquele bando de parente andando para um lado e para o outro tomando licorzinho antes da ceia e vem comeeego ver os melhores filmes de 2010 (by Katy).
1) Whatever Works
Para continuar com o clima acima, nada melhor que Boris (magistralmente interpretado por Larry David) para começar a lista. O gênio da física que concorreu ao Nobel é rabujento, franco, pessimista, e até já tentou se matar duas vezes, mas até nisso não obteve sucesso. Mesmo assim, com muito humor, é carismático e cativa aqueles que sabem que a vida não é cor de rosa. O personagem de Woody Allen, se estivesse na sua família neste natal, seria o tio que chegaria para o seu filho de 7 anos e diria que papai-noel não existe, que o natal é uma desculpa capitalista e que acha muito engraçado esse bando de gente comendo na sua casa de graça quando durante o ano ninguém liga para saber se você está vivo. Um dos melhores filmes de 2010, com certeza!
2) A Fita Branca
Fita Branca tem duas coisas bacanas das muitas a serem ressaltadas, a primeira é: o filme é um prato para psicanálise. A segunda: parece que entramos em um daqueles quadros com fotografia antigas de parentes, tipo anos 10, 20, onde a alma parece ter ficado realmente presa ali . O longa alemão com roteiro e direção de Michael Haneke conta a história de um vilarejo protestante no norte da Alemanha onde misteriosos acidentes acontecem em um ambiente de punição, incompreensão e julgamento. Criança, médico, barão, pastor, parteira, todos estão envolvidos no clima de medo e mistério que comanda o filme. Quando digo que é um prato para psicanálise é assim pois, a câmera íntima da vida de cada um, retrata como as relações entre os personagens acontecem, como ela é pesada, recalcada, vingativa, isso tudo na maior naturalidade possível. A fotografia é bárbara, em preto e branco ajuda a dar ainda mais o tom sinistro que acompanha os acidentes da trama. A Fita Branca é genial ao mostrar que aquelas doces crianças, daquela pacata e calma vila, são os futuros seguidores de Adolf Hitler quando adultos. Só peca pelo final, um pouco vago para o filme magistralmente feito.
3) O Segredo dos seus Olhos
Sabe quando você sai do cinema com a sensação de ter pago uma sessão que valeu a pena? Além dessa sensação, O Segredo dos seus Olhos, trás muitas outras. O filme argentino dirigido e escrito por Juan José Campanella mereceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro desse ano! Ricardo Darín interpreta Benjamín Espósito, um funcionário do Tribunal Penal de Bueno Aires, e para quem acompanha a crescente e boa produção cinematográfica argentina, com certeza ele já é figura conhecida. Para escrever seu livro, Benjamín se baseia na história que mais lhe marcou durante anos de trabalho no Trinubal, e para recontá-la ele volta ao passado, enfrentando no presente angustias e paixões há muito deixadas de lado. O longa é recheado de suspense, romance e boas pitadas de humor com o carismático Guillermo Francella. A narrativa não é linear, ela vai e volta, se desenrolando aos poucos e envolvendo o expectador cada vez mais, seja pelo humanismo dos personagens ou pelo comovente, porém não apelativo, drama. Baseado no livro "La pergunta de sus Ojos" de Eduardo Sacheri, O Segredo de seus Olhos é um dos poucos casos onde a adaptação é melhor que o original.
4) Dzi Croquettes
"Pega a tristeza e coloca ela de lado, vem com a gente viver tudo aquilo que está ai dentro, intocado, liberta essa alma menina! Coloca o seu SER para fora!! Ao sair do cinema foram essas palavras que ouvi ao pé do ouvido. Dzi Croquettes é sensacional!! Se eu disser que o documentário conta a história de um grupo de homens que dançavam como mulheres, vou simplificar demais algo tão bacana. Os caras dançavam, e muito! Uma expressão corporal divina, liberdade, arte e como diz Pedro Cardoso em um dos trechos "...havia uma possibilidade absoluta do exercício da sexualidade". Mas não é sexualidade de mulher fruta, Valeskas e etc não, é uma sexualidade que te leva, te impressiona, te envolve. No auge da ditadura eles nasceram da dança e da criativadade, do teatro, e mesmo depois de censurados continuaram a fazer espetáculos. Depois partiram para Europa e tiveram como madrinha Liza minelli. O doc conta com entrevistas de Liza Minnelli, Ron Lewis, Gilberto Gil, Nelson Motta, Marília Pêra, Ney Matogrosso e várias outras pessoas que tiveram o privilégio de os ver ao vivo. A narrativa deixa um pouco a desejar. Começa com uma lembrança lúdica da diretora, Tatiana Issa, que acompanhou quando pequena os Dzi Croquettes. Depois do começo do filme, o longa passa o tempo todo sem voltar no assunto e quando termina com a mesma lembrança você se pergunta quem é aquela menina. Tanta coisa espetacular e brilhante já passou que o passado da diretora fica no baú dos créditos. Fora isso Dzi Croquettes é um dos achados do cinema nacional em 2010. Tanto o é que ganhou Melhor Documentário no Festival do Rio, tanto o prêmio do júri quanto o oficial, Mostra de São Paulo, Cine Fest Goiânia, Torino GLTB Film Festival e no Los Angeles Brazilian Film Festival.
5) Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague
Uma aula de cinema! Sem mais. Além de imagens inéditas de todo ambiente pré e pós Nouvelle Vague, os bastidores da Cahiers du Cinema, os olhos brilhantes de Jean Pierre Leaud ao se ver na tela do cinema na pré-estréia de 'Os Incompreendidos', a revolta de 68 com a saída de Henri Langlois da Cinemateca, a ruptura entre Godard e Truffaut, tudo! Vale muito a pena ver, principalmente se você é cinéfilo apaixonado...
Ufa! Deu pra sentir minha prolixidade? ehehe Para ser sincera não fui muito ao cinema, aluguei mais. Desses cinco há outros que recomendo, tanto desse ano quanto de outros, alguns até que tenho vergonha de não ter visto antes... Olhos Azuis, Escritor Fantasma, Rainha Cristina, Loki, Noite Americana, Terra Estrangeira, Blade Runner, Os Incompreendidos...
E claro, não podia falta, o MICO do ano, que vai para: NINE Cara, se ele foi baseado em 'Oito e Meio' de Fellini, o cara deve ter se revirado no caixão. Nine é uma tentativa super fracassada de transformar o filme em um musical. Um verdadeiro disperdício de talento, pois o elenco conta com Daniel Day Lewis, Penelope Cruz e Nicole Kidman. E por incrível que pareça a parte melhorzinha é com a Fergie cantando com alguns pandeiros na mão.
Sofia Coppola está em todas! Além de ter ganhado o Leão de Ouro no Festival de Veneza desse ano, posou para a capa da Revista Vogue L'Uomo e estréia seu longa vencedor do Festival, "Somewhere", aqui no Brasil.
Comecei a prestar mais atenção nela depois de "Maria Antonieta", filme que muita gente criticou pelo roteiro "fraco", pois, esperavam a biografia da Rainha. O grande lance do filme é exatamente esse! Ela não se preocupou em contar toda história, da ascensão a queda de Marie Antoinette, Coppola focou em uma parte só, a adolescência, na qual ela se tornou Rainha. O filme é lindo! Não é por menos ganhou o Oscar de Melhor Figurino em 2006, as roupas são muito fiés as daquela época, entre 1755 até 1800. As filmagens aconteceram no próprio Palácio de Versailles, na França, onde toda história foi verdade, um verdadeiro sonho alguns takes dentro dele...
Um outro ponto forte do filme é a trilha sonora moderna que inclui The Strokes, Bow Wow Wow, The Cure, Radio Department encaixados perfeitamente no tempo em que se passa a verídica história, no século XVIII. Por exemplo Julio Casablancas que embala o amor de Condo Fersen e Marie Antoinette com sua voz arrastada em What Ever Happened "I wanna be forgotteeeeeeeennn, and I don't wanna be remindeeeeed....."
Gostei dessa capa da Vogue L'Uomo, vale conferir também a outra, uma versão com Quentin Tarantino.
Kirsten Dunst e Sofia Coppola nas gravações de Maria Antonieta em 2006
Tem algumas coisas que não tem o que se falar, o silêncio fala muito mais por elas. O silêncio da contemplação, da arte, da imagem, da narração, do afrodisíaco... O silêncio que precede o desejo.
"Lavoura Arcaica"(2001) é, sem dúvidas, um dos melhores filmes nacionais, tanto na história, quanto na fotografia. Lembro que o assisti quando tinha uns 14, 15 anos, e até hoje as folhas, as palavras, as emoções, os olhares, a dança, a voz sussurrada, não saíram do arquivo móvel. Ao contrário, no infinito do espaço do sofá, com as pernas esticadas para fazer volume, se acha e se perde em cenas de outros.
Ana, vivida por Simone Spoladore, "se molha de vinho e dança: que demônio mais versátil...".
Ahh.. se a sensualidade nacional fosse mostrada assim, não só a nacional, mas a de nós, mulheres reais.
Se me perguntarem o motivo pelo qual quero seguir cinema como profissão, uma dos nomes citados na resposta será: Walter Salles. Seu filmes me impactaram e me emocionam até hoje. A nobre mistura entre o real e o ficcional, entre o documentário e o longa-metragem, entre o renomado ator e uma pessoa que nunca fez cinema, essa possibilidade dos dois mundos, muito me cativa.
Na faculdade, mais precisamente, na matéria de Secretária Gráfica, o trabalho final era fazer uma matéria de revista sobre alguém que você admira como artista. Quem escolhi? Ele, claro! Quando o querido @berthone, minha dupla, gostou da idéia foi só correr pro abraço, quer dizer, para o InDesing :p
Esse foi o resultado final, modestamente, adorei !!!
Aluguei ontem "A identidade de nós mesmos", do Wim Wenders. Comecei a gostar desse diretor em "No Decurso do Tempo", a admirar em "Um Truque de Luz" e agora a ficar fã com esse filme.
Em "A Identidade de nós mesmos" Wenders fala sobre a questão da identidade em um mundo com tanta diversidade, do quanto essa diversidade influencia e causa exatamente a perda da identidade, do real, do que é possível, do ser humano e que pior, a identidade está fora da moda. Ele fala sobre isso através de um estilista que muito admira, o japonês Yohji Yamamoto.
Uma vez, ao comprar um paletó e uma blusa, Wenders se sentiu tão bem que se assustou. Aquela roupa trouxe uma sensação nostalgica, um cheiro da infância permeou seus sentidos, ao colocar aquela roupa que lhe caiu tão bem. Aquilo o deixou curioso, pois há tempos não se via tão bem no espelho, viu ali um quê diferente, um quê de realidade, foi assim que chegou até Yamamoto.
Win Wenders e Yohji Yamamoto
O filme é praticamente um documentário e é meio parado, tanto o diretor quanto Yamamoto falam calma e pausadamente, o que faz com que o espectador possa digerir aos poucos as informações que recebe. No clima da Copa eu estava mais era pra "Missão Impossível" (com esse time...voltando!) mas esse me chamou bastante atenção não só pelo todo, pelos takes aonde tinham três imagens diferentes ao mesmo tempo (só vendo para ver como ficou boa essa montagem) e pela forma como Yohji toca seu trabalho. Fica clara o porque da admiração de Wenders pelo estilista e em uma parte do filme acontece essa seguinte situação:
Wenders (locução): - Perguntei a Yohji sobre estilo. Como ele poderia apresentar uma dificuldade enorme para criatividade... O estilo podia se tornar uma prisão, uma sala de espelhos onde você só consegue se espelhar e se imitar. Yohji disse que conhecia bem esse problema, e que claro, havia caído nessa prisão. "Escapei dela - ele disse - quando aprendi a aceitar o meu estilo e de repente, a prisão se abrira." Isso para mim é um autor: alguém que, para começar, tem algo a dizer, que sabe se expressar com sua própria voz e que finalmente encontra em si a força e a insolência necessária para se tornar o guardião de sua prisão, e não continuar prisioneiro.
Essa parte é sensacional.
Por quantas vezes repetimos os mesmos pensamentos, permanecemos nas mesmas dúvidas, com medo de estabelecer um pensamento final.
Por quantas vezes desejamos ser aquilo que não somos, aquilo que não temos, aquilo que parece ser mais bonito, colorido, prazeroso, mas que no final tem as mesmas dúvidas, insatisfações, angústias que nós. Apenas se apresenta mais colorido, e por assim sendo, não é real. Se pegarmos o que temos em nós e aceitarmos como o melhor que podemos ser e oferecer, com certeza a mente abre para que aquilo sofra, ou melhor, ganhe, uma explosão de criatividade, de beleza, de satisfação, fazendo com que possamos nos surpreender com nós mesmos! É como se o caminho antes ocupado pelo desejo de ser outro (obs: não confunda ser o outro com mudar a si próprio..) fosse uma verdadeira prisão e ao reconhcer aquilo que se tem e fazer o melhor com isso, você se torna o guardião do conhecimento, saindo do lugar de prisioneiro para o do ser livre.
Yamamoto é um dos mais bem conceituados estilistas dessa época e seu trabalho se destaca não por detalhes exuberantes, modelos dignos de Grécia antiga ou status, mas sim porque simplismente as roupas caem bem nas pessoas, afinal, aquelas que as vestem, são reais.
"A vida é colorida, mas a realidade é preto e branco" é uma frase dita em outro filme do Wenders, o qual ainda não assiti, mas será minha próxima locação. Não preciso comentar mais nada, ela resume o modesto parágrafo que acabei de escrever...
Abaixo o trecho do filme no qual essa parte acontece:
No próximo post vou abordar essa questão do ser, da roupa, do corpo real. Ela também é trabalhada no filme e vale trazer aqui, só que estou cansada e amanhã tem jogo, quero tocer bastante! Depois que o colorido da Copa passar, volto para o preto e branco da vida...
Há um bom tempo estou para fazer esse post, depois do filme que vi na última sexta, me deu mais vontade ainda de escrever.
Fui ao cine ver "O Escritor Fantasma"(2010) o novo filme do Roman Polanski. A única coisa ruim é essa tradução (com o perdão da palavra) escrota que fizeram do nome original "Ghost Writer", (ao pé da letra a tradução está certa, o problema é esse mesmo, está certa somente ao pé da letra!!) fora isso, o filme é muito bom. Roteiro, direção, elenco, edição, gostei bastante! Mas outro dia falo mais do filme, o que quero falar é sobre os trailers!
Toda vez que fico sabendo de alguma estréia que me interesse, já corro para ver o trailer no Youtube, ás vezes, já vi no cinema, mas quero rever para entender mais. Ao escrever o nome do fiilme obviamente aparece um monte de vídeos relacionados, e nesse monte vem os trailers, principalmente a versão americana e a versão do país de origem (quando não os EUA) . Nesse caso, o novo de Polanski é produção França, Alemanha e UK, ou seja, europeu.
É ai que eu fico sempre intrigada, existe uma diferença na narrativa do trailer americano para o europeu. A primeira vez que vi o trailer de 'Ghost Writer' foi a versão britânica, nela o filme fala por si só, logo saquei que aquela não era a versão americana. O cinema americano tem uma mania irritante de fazer todos os seus trailers muito parecidos: as cenas mais marcantes (mesmo que elas tenham o tempo de só um segundo no filme, principalmente se tiver sexo); 'diálogos' de uma frase só (e claro, A frase), aquela música que cresce no trailer, como se o filme fosse o melhor suspense já feito; aquelas frases de impacto nos caracteres e a opinião dos críticos, que ganha mais espaço que o próprio filme no trailer. Ah! Fora que sempre tem que ter algo temível, que vai acabar com a humanindade e só a C-I-A, sim, só ela, pode salvar o mundo. É claro que se for um drama que não envolva nada disso, a (OMG!) C-I-A não vai estar presente, mas com certeza uma palavra de super impacto que cause medo vai ser pronunciada.
Ai você vira e me fala: mas é claro, afinal o trailer é um resumo do filme que tenta convencer o público de que o lançamento vale a pena ser visto. Sim, é isso mesmo! Mas porque não deixar o filme falar por si só? Por exemplo os trailers de Ghost Writer:
As duas versões são bem parecidas, mas há nitidamente uma diferença na narrativa entre os dois. Na primeira: elementos, cortes, frases, trilha sonora falam pelo filme; na segunda diálogos menos cortados permitem ao expectador ir desvendando por si só o tema central da trama. Recursos de edição também são utilizados, mas bem menos infatizados, o que importa é o filme.
Outro ótimo exemplo é "A Última Amante"(2007) da diretora francesa Catherine Breillat. Lembro que fui vê-lo por acaso, estava passando e resolvi assitir. Gostei tanto que quando cheguei em casa a primeira coisa foi pesquisar mais sobre ele. Quando vi os trailers fiquei indignada! O trailer americano consegue pegar as cenas mais picantes (inclusive a de um beijo lésbico, que no filme é uma situação besta, trazido para o trailer como se fosse uma das cenas principais) e bombardiar de críticas com palavras em caixa alta enquanto as imagens rolam ao fundo. Ora eu não querio saber quem falou o que, o que achou, como foi recebido, quero ver o filme ué!! Não precisa disso... no trailer francês, o filme fala por si só:
Versão EUA
Versão França
Sinceramente, fikadika para quando você for procurar um trailer no Youtube ;)
Choose life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television! Choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortgage repayments.Choose a starter home. Choose your friends.Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics.Choose diy and wondering who the fuck you are on a Sunday morning.Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pissing your last in a miserable home, nothing more than an embarrasment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life. But why would I want to do a thing like that? I chose no to choose life. I chose something else. And the reasons? There are no reasons.
Ainda na inspiração de Truffaut e seu Antoine Doinel...
"Peguei meu passado, guardei em um pote de vidro e coloquei na estante das lembranças. Agora cabe a mim abrir esse pote ou não, mesmo sabendo que ele sempre estará lá."
"A maioria das pessoas não vivem, elas apenas existem..." Oscar Wilde
Depois de ver Antoine Doinel correndo para o mar, é impossível esquecer François Truffaut. E se você viu esse filme pela primeira vez há alguns meses, ainda o está digerindo... Uns dias lembra, outros não...
Circulando por ai achei uma matéria curtinha, mas muito bacana, no blog ionCine sobre os 55 anos de morte do Truffaut. Na verdade a matéria é original do Le Figaro, foi traduzida pelo New Yorker e depois pelo Ioncine.
Fiquei ainda mais admirada com esse cineasta: além da câmera apaixonada, tem paixão na opinião. Quando digo paixão não é aquela que arde, mas a é que constitui o indivíduo, uma paixão mais ligada a essência pessoal. Truffaut tem uma linguagem bastante não-verbal com sua direção e agora se mostra verbal também.
O vídeo está em francês, mas o começinho está aqui traduzido:
Quando o cinema foi inventado, ele interessava a pessoas jovens. Abel Gance, D.W. Griffith, essas pessoas tinham 18, 20 ou 22 anos quando começaram. Cecil B. DeMille era jovem quando começou a fazer filmes na California. Ai, provavelmente por causa da invenção do som, filmes ficaram caros, e eles decidiram que não podiam dar tanto dinheiro para homens jovens… eles não podiam confiar tanto dinheiro para ninguém com menos de 45 anos. Acho que foi por isso que o cinema virou tão solene. Essa era a única coisa que tínhamos em comum com os nossos artigos e campanhas na Cahiers du Cinéma – Dizer que poderiamos fazer filmes com 20 anos, como Raumond Radiguet que escreveu “Le Diable au Corps” com 16… Veja [Alain] Resnais, que faz coisas perfeitas, mas é uma pena que ele não começou antes. Eu tenho certeza que ao invés de começar com uma obra prima como “Hisroshima [Mon Amour]“, ele teria feito filmes menos perfeitos, mas extremamente passionais se ele tivesse começado aos 20 anos. Em um primeiro filme como Acossado, tem a força de um primeiro filme, mas também a força de um jovem realizador. Eu não acho que é possível realizar “Acossado” com 40 anos, é impossível.
Obs: Essa resenha foi escrita para um trabalho acadêmico, a extensão do texto e aprofundamento condizem com a solicitação do professor.
Nué Propriété é o que podemos chamar de um pequeno grande filme. Com roteiro e direção do jovem diretor belga Joachim Lafosse, concorreu ao festival de Veneza de 2006, batendo um recorde do diretor mais novo a concorrer a tal premiação. O filme tem curta duração, uma produção simples, com locações, figurinos e cenários mais simples ainda, o bom do filme não está nesses aspectos e sim em seu roteiro, esse, grandioso. “Propriedade Privada” conta a história de uma mulher divorciada que vive com seus dois filhos na casa em que moram desde o nascimento. Vislumbrando uma mudança em sua vida, ela decide vender a casa para construir uma pousada. Os filhos são contra e consequentemente se viram contra a mãe, e depois, um contra o outro. É nesse cenário que a trama começa, dentro da casa, aonde a maioria das situações acontece. Antes de abrir a câmera para a película, o expectador lê no canto da tela a seguinte frase: “aos nossos limites”. Tanto essa frase quanto o próprio nome do filme (Propriedade Privada), definem muito bem o que vem pela frente. Apesar de não serem termos psicanalíticos, resumem com objetividade os sentimentos e as relações que existem nessa família. A talentosa atriz francesa Isabelle Huppert vive Pascale, mãe dos meninos. Já na primeira cena do filme podemos perceber como é o relacionamento entre eles. Ao se olhar no espelho com uma camisola nova que comprou, recebe a ironia e o sarcasmo dos comentários dos filhos. Os irmãos gêmeos são interpretados por Jérémie Renier que vive Thierry, e Yannick Renier, que vive François. O dois são irmãos também na vida real, e segundo Joachim Lafosse, isso deu uma maior identidade aos personagens. Um quarto personagem que se junta a trama, é Luc, o ex-marido de Pascale, interpretado por Patrick Descamps. Apesar de serem separados, sua prensença ainda é constante no cotidiano da família.
No decorrer do filme começamos a perceber quem dá “as cartas” dentro da casa. Normalmente, em uma família menos problemática (porém nunca perto da perfeição, pois, nenhuma família chega perto disso) o natural seria a mãe desenvolver esse papel, mas na família de Pascale não é assim. Thierry é quem domina todas as cenas, imaturo, arrogante, machista, mimado e egoísta, coloca medo tanto na mãe quanto no irmão, fazendo suas vontades e opiniões prevalecerem. Isso é muito bem retratado no dia-a-dia, sendo essa forma de demonstrar emoções e sentimentos ocultos de forma clara, uma das riquezas do filme. Um ponto forte a ser ressaltado é como os filhos são imaturos para sua idade. Gêmeos, beiram os vinte e cinco anos e apesar de toda essa idade não trabalham e passam o dia fazendo “nada”, ao acordar é Pascale que os chama para levantar, a rotina gira em torno da mãe que os serve. Em uma cena que os dois estão deitados na cama jogando vídeo-game e em outra aonde tomam banhos juntos e um lava a cabeça do outro, isso fica muito evidente. Isso se alia ao fato da intimidade entre os três personagens ser extrema. A mãe toma banho na frente do filho (que a observa ao escovar os dentes), vai ao banheiro de porta aberta, etc. Privacidade é uma palavra que não faz sentido no filme, essas atitudes mostram como os limites não são estabelecidos, também por parte de Pascale. Um entra no espaço do outro e isso faz com que as relações entrem em um emaranhado que faz os papéis se inverterem. A mãe não é quem dá as cartas, pelo contrario, ela é bastante dependente da opinião dos filhos, não tem voz ativa e sabota sua própria liberdade. A verdade é que a mãe não cortou o cordão umbilical com a prole, mesmo com vinte e poucos anos cada um, permanece uma relação de dependência e obrigação de cuidados que não condizem com a idade e situação dos personagens. Para aumentar a problemática, o pai não é parceiro da mãe, pelo contrário, faz o que pode para colocar os filhos contra ela por meio de dinheiro, pois afetivamente não é nem um pouco participativo. Ao perceber a imaturidade dos filhos, usa isso de chantagem para infernizar a vida de Pascale, tornando uma terceira pessoa que controla sua vida. Pascale é uma propriedade privada dos três. O auge dessa ebulição, acontece quando Pascale começa a namorar seu vizinho Jan. Jan, interpretado por Kris Cuppens é uma luz em sua vida. É ele que lhe mostra como sua vida está sem sentido por essa obrigação que ela sente em atender os filhos e mostra como isso é inadimissível. Sugere que ela venda a casa e construa uma pousada, o que sempre foi seu sonho mas que abriu mão pela família. Pascale gosta da idéia, mas seu relacionamento continua as escondidas, chegando até ter relações sexuais na mala do carro para os filhos não descobrirem. Essa cena é interessante, pois apesar do gênio difícil dos filhos e da situação acoada que se encontra dentro de casa, a cena mostra como ela deixou seu espaço ser invadido, como não estabeleceu os limites na criação dos garotos, se submetendo a transar com o namorado como se fosse uma clandestina. E é exatamente percebendo isso que Thierry impõe todas as suas vontades, pois sabe que a mãe é fraca, submissa, e bastante dependente, também, dos filhos.
Ás poucas vezes que se vê Pascale com um semblante mais relaxado, são nas cenas com o namorado, fora isso, o tempo todo, ela está com a insatisfação nos olhos. Tudo é motivo para infantiliza-la e ironizar as coisas que acontecem em sua vida, como na cena em que os irmãos fingem uma transa dela com o vizinho, comentando o fato do mesmo ter dado uma torta para ela. Jan chega na história como um grito de alerta para Pascale, encorajando-a a ser quem ela é, pois sua essência se perdeu. Uma boa cena que identifica esse processo de ruptura que ela começa a fazer, acontece quando os dois começam a brigar por uma carona e ela os deixa brigando, seguindo no carro sozinha para cidade.
Todo esse ambiente é ainda mais tenso por um recurso técnico utilizado. A câmera está sempre com o plano fechado, só enxergamos os personagens, e nada mais além. Isso passa um sufocamento ainda maior, pois em um ambiente tão tenso, espaço é algo sempre desejado, mas a câmera filma os diálogos somente. Não se sabe o tamanho de nenhum dos cômodos da casa, das ruas, de nada. Esse recurso passa ser uma linguagem não verbal no filme, pois além de fazer com que o expectador também fique acoado, ele é essencial para entender o desfecho da história.
Entre a venda da casa e a revolta dos filhos, Thierry inicia a sua vida sexual, enquanto o outro não. Mais uma vez o recurso de colocar paralelamente realidades diferentes dos dois é utilizada. Depois da cena em que um transa, corta para o outro tomando yogurte enquanto a mãe passa a roupa.
Agora sozinhos, os irmãos começam a ter que aprender a dividir, o que, com certeza, não acontece da maneira mais calma possível. Ao ficarem sozinhos começam a ficar um contra o outro e toda essa situação termina com uma forte briga entre os dois, aonde Thierry joga François em uma mesa de vidro. François não acorda mais e desesperado Thierry liga para o pai e conta o que aconteceu, porém não permanece em casa. Como uma criança indefesa e amendrontada corre pelo jardim, ofegante, soluçando de tanto chorar e senta atrás de uma árvore, chorando encolhido, enquanto vê o pai chegando com a ambulância. Na verdade, Thierry mostra ali tudo o que sempre foi, imaturo e bobo, não encarando de frente o que aconteceu. Se esconde para não ter que ver diante de seus olhos a consequência de seus atos e assim, ele corre para a casa da namorada, tentando encontrar alguém que lhe acolha naquele momento, no qual se deu conta de quão fraco ele é. O final, com certeza, é a sacada máxima do filme. Pascale e Luc se encontram na sala aonde aconteceu a briga, a mesa de vidro está toda quebrada no chão. Sem dizer uma palavra os dois começam a catar os cacos de vidro juntos. Essa cena é bastante tocante, não só pela situação em si, mas também pelo violino rasgado que começa a tocar de fundo. É como se aqueles cacos de vidro representassem todas as angústias, ferimentos, mágoas que são tão presentes naquela família. Foi necessário que uma tragédia acontecesse para que a primeira cena de “tranquilidade” aparecesse. Juntar os cacos também pode ser interpretado como uma união da mãe com o pai para ajudar os filhos, vítimas e responsáveis, naquela situação. É nesse momento que a câmera de Lafosse se mostra poderosa. O carro que vai embora da casa de Pascale leva a câmera junto, finalmente abrindo o quadro, e o expectador se depara com uma casa enorme, com muitos cômodos, janelas, campos… É ai que o expectador também percebe o tamanho do espaço que os três tinham para ocupar dentro da casa, mas com tamanho emaranhado, ligações e relações complexas, todos ocupavam os mesmos lugares. Essa foi uma ótima forma utilizada pelo diretor para mostrar que não importa quão munido materialmente você, é no conhecimento do subjetivo, no reconhecimento de seus limites, que mora a verdadeira paz.
Faz muito tempo que eu não mando uma carta pra alguém, agora eu tô mandando esta carta pra você. Você tem razão, seu pai ainda vai aparecer e, com certeza, ele é tudo aquilo que você diz que ele é. Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira. Quando você estiver cruzando as estradas, no seu caminhão enorme, eu espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão num volante. Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos. Você merece muito, muito mais do que eu tenho pra te dar. No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isso porque tenho medo, que um dia, você também me esqueça. Tenho saudade do meu pai. Tenho saudade de tudo.
No Blog Beatles 50 anos, no qual escrevo junto aos alunos da Facha, fiz um post sobre a relação Beatles e o cinema, porque, afinal, ela vai muito além dos filmes que a própria banda produziu.
Trilhas sonoras de muitos longas são embaladas pelo som dos garotos de Liverpool e nesses 50 anos vale olharmos para essa banda não só musicalmente, mas em todas as áreas artísicas que eles influenciaram e influenciam até hoje.
O Blog surgiu como trabalho para aula de Documentação Gráfica e Audiovisual, lecionada pelo Professor PC Guimarães na Facha - RJ. Todos contribuem para o desenvolvimento e atualização do blog e quem visita ficar por dentro de tudo que rola, que já rolou e que vai rolar por ai no que diz respeito aos Beatles!
Além do mundo sempre falar em Beatles, fazendo pesquisas para o blog, ficou muito claro como a banda revolucionou não só na música, como no comportamento, na arte, nas gerações e em um legado, que ao meu ver, é para sempre.
Fazem três décadas que o grande mestre do suspense nos deixou, o rechonchudo e irônico Alfred Hitchcocok. Com mais de 60 filmes, o diretor até hoje conquista uma legião de fãs, que ao entrarem em contato com a as primeiras imagens de suas películas, mergulham compulsivamente em sua filmografia.
Nascido na Inglaterra, começou a filmar em seu país de origem, tendo sido injustamente relegado esse período, pois ótimos filmes foram feitos, como "Os 39 Degraus" de 1935 e "A Dama Oculta" de 1938.
Chegou em Hollywood por meio do produtor David Selznick, que lhe exigiu prestar mais atenção ao psicológico de seus personagens, resultando em um real tratado de paranóia e mist´riao angustiante das aparências. Fruto disso, são os seus filmes mais famosos, como "Suspeita" de 1941, "Um Corpo que Cai" de 1958 e "Intriga Internacional" de 1959. Não menos merecedor de destaque, mas tão bom que merece ser escrito sozinho, o genial "Psicose" de 1960.
O canal a cabo TCM está fazendo esse mês uma homenagem ao mestre exibindo todas as quartas e sábados de Abril, á partir das 22 horas uma apresentação dupla de filmes. O site da programação está muito bacana, vale a pena conferir, só clicar aqui.
Começa hoje a 15º edição do Festival de Documentários da América Latina, o É Tudo Verdade 2010.
Em suas bodas de cristal o Festival vem recheado de filmes inéditos e com nomes de peso na grade da programação. Entre 8 e 18 de Abril, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, os apreciadores da sétima arte poderão conferir 71 documentários de curta, média e longa-metragem de 27 países, sendo 18 brasileiros inéditos.
Filmes que competem na categoria "Longas Internacionais"
O festival surgiu com a vontade do fundador Amir Labaki de reunir de uma vez só todos os documentários produzidos no Brasil e no mundo. No primeiro ano foram 40 documentários brasileiros inscritos, esse ano foram 450. Isso evidencia o crescimento da industria audiovisual no Brasil e, felizmente, um boom nas produções independentes.
Ao meu ver, esse crescimento tem como alavanca a tecnologia, que está cada vez mais fácil e acessível. Antes, com a película e até mesmo com as primeiras fitas, quem tinha acesso ao equipamento cinematográfico era rico ou tinha um grande patrocinador por trás. Hoje com os preços mais em conta, o vídeo digital, a internet e até mesmo o tamanho e peso das câmeras, está muito mais fácil de realizar o famoso bordão "uma idéia na cabeça e uma câmera na mão". Muita gente critica essa acessibilidade, falando de banalização, "mais do mesmo", falta de arte e amor ao cinema... Eu acho que isso, como muitas coisas na vida, não é a ferramenta que tem a responsabilidade pelo o que está sendo produzido, o problema é de quem opera, dentro desse quadro e possível sair tanto coisas boas quanto ruins, nos cabe é filtrar.
Fico muito feliz quando vejo essas mostras, festivais, ou qualquer evento que tenha como intenção juntar para apreciar e discutir qualquer tipo de arte, isso nos enriquece tanto... Sem falar na quebra da rotina, tão massacrada, ai sim, pelo mais do mesmo e que quase nos faz esquecer de cores, formas, pessoas, idéias, movimentos, expressões diferentes. Como minha amiga Juzão diz: " estou sempre na campanha contra a mediocridade"...
Confesso que não estou tão por dentro dos filmes, deixo aqui o link com a programação completa do Festival, que aliás, está muito bem feito!
Os filmes selecionados para melhor longa e média-metragem brasileiros são:
- "Arquitetos do poder", de Vicente Ferraz e Alessandra Aldé;
- "O Contestado – Restos mortais", de Sylvio Back;
- "Eu, o vinil e o resto do mundo", de Lila Rodrigues e Karina Ades;
- "Fora de campo", de Adirley Queirós
- "Manual prático de como ter sucesso na política brasileira", de Felipe Lacerda - "Programa Casé – O que a gente não inventa, não existe", de Estevão Ciavatta
- "Terra deu, terra come", de Rodrigo Siqueira
E os curta-metragem são:
- "Acontecências" - ALICE VILLELA, HIDALGO ROMERO
- "As Aventuras de Paulo Bruscky" - GABRIEL MASCARO
- "Bar da Estação" - LEO AYRES
- "Bernnô" - PEDRO GORSKI
- "Karl Max Way" - FLAVIA GUERRA, MAURÍCIO OSAKI
- "Mãos de Outubro" - VITOR SOUZA LIMA
- "Querida Mãe" - PATRICIA CORNILS
- "Se Meu Pai Fosse de Pedra" - MARIA CAMARGO
- "Xetá" - FERNANDO SEVERO
O Rio está cheio de motivos para você sair de casa e aproveitar o final de semana!! Claro, é só não chover...