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sábado, 9 de outubro de 2010

Quotes from special doors


"A música é algo muito erótico.
Uma de suas funções é purgar a emoção.
Chamar nossa música de orgástica significa dizer que somos capazes de levar as pessoas a uma espécia de orgasmo emocional por meio de palavras e melodia. Um show ferve para valer quando os músicos e a platéia alcançam uma espécie de experiência conjunta. É inspirador e prazeroso saber que as várias limitações que separam uma pessoa da outra são reduzidas no espaço de uma hora.Talvez poderíamos ser chamados de políticos eróticos. Quando nos apresentamos estamos participando da criação de um mundo e celebramos isso com o público. Torna-se uma esculturas de corpos em movimento. Isso é política, mas nossa força é sexual" Jim Morrison




     Estou lendo The Doors por The Doors com Ben Fong-Torres. O livro é muito massa! Narrado por entrevistas e alguns complementos de Torres, é repleto de fotos raras ou nunca publicadas do arquivo pessoal da banda. Está sendo interessante pois, encontro em vários relatos, a imagem que tinha de Jim: autêntico. Como Ray Manzareck fala em um trecho: "Morrison foi um dos poucos, se não o único, artista que conheci que acreditava no que estava dizendo. Ele viva aquele tipo de vida. Não fazia suas loucuras no palco e depois ia para casa assistir TV, beber cerveja e rir daquilo tudo. Ele era um cara que vivia aquela vida o tempo todo". 
     Sempre achei muito sincera e libertária a expressão corporal de Jim nos shows, além da música, esse elemento é essencial para meu gosto intenso pela banda. The Doors foi uma banda muito franca, muito "essa música somos nós". Claro que há outras bandas assim, mas ai rola aquele lance da identificação também.. 
To be continued ---



The Doors por The Doors
Ben Fong-Torres
432 páginas
Editora Agir
R$ 60,00

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Saramago e o ensaio sobre A visão

       Quando abri um site de comunicação e vi que José Saramago havia morrido, senti um pouco daquela frase: "...e um pouco de mim morreu contigo". Ele não era meu parente, amigo, colega e muito menos amante, mas ás vezes algumas pessoas desempenham um papel na sua vida por meio da arte que as fazem tornar muito mais intímas de ti, bem mais do que aquele parente, amigo, colega, amante...
       Seu falecimento foi comentado no mundo inteiro e agora é a hora das editoras correrem para publicar e  vender ainda mais seus livros, pois sabemos o "know how" acerca do artista vivo e ele morto (melhor exemplo? Michal Jackson). Pela primeira vez, "que assim seja!", me passou no pensamento ao ver uma nota sobre essa corrida atrás do ouro. Que publiquem e republiquem, vendão e façam estoques e mais estoques nas livrarias, que chegue a maior quantidade de público o legado desse genial escritor.        
       No Twitter, adorei o tweet de um amigo meu comentando sobre a falta que ele vai fazer, não é um comentário muito 'polido' para o momento, mas não deixa de ter razão:


         Não me esqueço da emoção de Saramago ao ver pela primeira vez o filme de seu livro, "Ensaio Sobre Cegueria"(2008) dirigido por Fernando Meirelles. O diretor fica até sem jeito, e eu ficaria da mesma forma... Ter uma pessoa como José Saramago ao seu lado, emocionado, e aprovando aquilo que você produziu em cima da sua obra, não é para qualquer um...

Descanse em paz.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fogos de artifício que não queimam


        Uma vez um amigo (Rudááá) me enviou um trecho de um livro que ele dizia lembrar-se de mim quando lia. E que bom que lembrou.

        O fato é que se tratava do livro On the Road, escrito pelo Jack Kerouac e lançado em 1957. Foi sucesso e passou a ser chamado de "bíblia hippie" na época, pois sua inspiração veio de da viagem que fez, por sete anos percorrendo a rota 66, que cruza os EUA na direção leste-oeste, com descidas freqüentes ao México. Mas antes de On the Road, Kerouac tentou escrever um romance, falando sobre os tormentos que sofria para equilibrar a vida selvagem da cidade com os seus valores do velho mundo.
        Forte influenciador do movimento beatnik, um pouco antes da sua morte sai da cidade e decide se isolar do convívio humano. Subiu até o alto de uma colina e passou longos dias sozinho confinado em uma cabana sem eletricidade e sem vidros nas janelas. Tomava quase uma garrafa de bebida por dia e sofreu com alucinações e paranóias.
        Morreu com 47 anos de hemorragia causada pela ingestão de bebidas.

        Porque as pessoas que escrevem bem, sobre assuntos diferentes, de forma diferente, para pessoas diferentes... Geralmente terminam dessa forma? Com a palavra Edgar Allan Poe: "Muitas pessoas já me caracterizaram como louco, resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência".

"(...) sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, agora, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante — pop! — pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos “aaaaaaah!”"

-- Jack Kerouac, On the road

        Nesse momento Walter Salles está terminando a pós-produção do seu próximo filme, que será o On the Road do Kerouac. A ansiedade só não consegue ser maior porque já não cabe dentro de mim mesma...