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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Olhar de Nós Mesmos

Há um tempo atrás escrevi um extenso post sobre Wim Wenders e seu filme "A Identidade de Nós Mesmos". Ontem comecei a ver o doc "Tokyo Ga", uma viagem de Wenders a Tóquio de Yasujiro Ozu. Por coincidência os dois filmes tem algo japona, já que em "A Identidade de Nós Mesmos" o personagem principal é o estilista japonês Yohij Yamamoto. 

A narração de Wenders, em qualquer um de seus filmes, é afrodisíaca. Seu olhar existencial e sua voz calma e madura aos poucos vão construindo um novo olhar dentro daqueles que veem seus filmes. 
Asiáticos sempre foram conhecidos por sua introspecção, disciplina, tradicionalismos e uma "secura" no tratamento, principalmente para nós brasileiros que ao ver um conhecido nos jogamos em seus braços com um bom e alto "há quanto tempo não te vejo". Para os asiáticos, ou pelo o menos a imagem deles que nos temos, essa vontade de expressar o sentimento seria reprimida a um rápido e cordial baixar a cabeça e voltar.


Win Wenders, assim como Ozu em muito de seus brilhantes filmes, mostra um outro lado asiático, um sorriso escondido, uma gentileza livre, uma alegria atrás da tradição dos cumprimentos e das relações humanas.
Não é fantástico quando temos um olhar sobre algo e outra pessoa ou situação vem e muda completamente a imagem e opinião?
Pelo olhar detalhista e admirável de Wenders é possível, seguido de sua narração então, é ainda mais interessante.

"Tokyo-Ga" começo:



O começo de "A Identidade de Nós Mesmos":






Comercial para as câmeras Leica:


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Jean-Baptiste Mondino

     Propagandas de perfumes são tão bem feitas e elaboradas que muita vezes parecem mais um "mini-curta" do que propriamente um simples comercial. Em torno das sensações, elas fogem do convencional marketing trazendo todos os sentidos, ambientes, sensações e desejos que o cheiro do perfume talvez possa proporcionar. Um dos grandes nomes desses comerciais dos anos 90 até hoje é o fotógrafo, diretor e artista plástico francês Jean-Baptiste Mondino.
     Entre os clipes que dirigiu estão artistas como Björk, Madonna, David Bowie, Sting e a "Anticristo" de Lars von Trier, Charlotte Gainsbourg, em seu clipe Beauty Mark. Inclusive é dele o sensacional "Justify My Love" de Madonna postado mês passado aqui no Ensaios. Com ela, Mondino também dirigiu "Open your Heart", "Human Nature", "Love Don't Live Here Anymore", "Don't Tell Me" e "Hollywood". Nas marcas de perfumes e roupas, Clavin Klein, Dolce e Gabbana, Dior, Jean-Paul Gaultier, Chanel, entre outros.
     As fotos de Mondino e seus clipes tem uma coisa em comum: a sedução não fica de mãos dadas com a vulgaridade ou com o comum. Sensualidade que envolve e passa da TV para o sofá levando o cheiro do perfume.

Clique na imagem para ampliar










 



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Life Soundtrack II

I wanna kiss you in Paris
I wanna hold your
hand in Rome
I wanna run
naked in a rainstorm Make love in a train cross-country
You
put this in me
So now what, so
now what?




Poor is the man whose pleasure depends 
on the permission of another

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mulheres & Cinema II

     Tem algumas coisas que não tem o que se falar, o silêncio fala muito mais por elas. O silêncio da contemplação, da arte, da imagem, da narração, do afrodisíaco... O silêncio que precede o desejo.

     "Lavoura Arcaica"(2001) é, sem dúvidas, um dos melhores filmes nacionais, tanto na história, quanto na fotografia. Lembro que o assisti quando tinha uns 14, 15 anos, e até hoje as folhas, as palavras, as emoções, os olhares, a dança, a voz sussurrada, não saíram do arquivo móvel. Ao contrário, no infinito do espaço do sofá, com as pernas esticadas para fazer volume, se acha e se perde em cenas de outros.

     Ana, vivida por Simone Spoladore, "se molha de vinho e dança: que demônio mais versátil...". 


     Ahh.. se a sensualidade nacional fosse mostrada assim, não só a nacional, mas a de nós, mulheres reais.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres & Cinema - 1


         Hoje é Dia Internacional da Mulher. Eu não gosto muito desse papo de dia disso, dia daquilo, acho que todo dia é dia para valorizar quem temos ao lado, mas vou aproveitar esse barco e começar uma série de postagens que a tempos estou para escrever: a mulher e o cinema.
        Para começar, nada mais feminino e, até mesmo clichê, que o cinema de Almodóvar.
        Almodóvar e suas mulheres são dois elementos únicos no cinema. Forte, intenso e bastante fiel a muitos desejos e comportamentos femininos, o diretor espanhol sabe como dirigir suas atrizes principais.
        Falar dele, é falar de poucos homens que conseguem falar sobre a mulher "parecendo" ser uma, devido sua sensibilidade em captar a essência daquelas que muitas vezes são chamadas de "complicadas", mas na verdade carregam o mundo em seus corações.
        Outra pessoa que penso ter esse tipo de "magia" é Chico Buarque. Acho que é por isso que ao final de seu show no Canecão vi centenas de mulheres, completamente embriagadas de admiração e voltando aos tempos de adolescência ao se debruçarem no palco a chorar e berrar por um cara baixinho, narigudo e bem coroa. Tenho certeza que muitos maridos que estavam ali e ficaram sozinhos no camarote fizeram a pergunta: "o que esse cara tem??" Nem ouso responder...
        Um dos mais famosos filmes de Almodóvar é "Volver"(2006), filme que conta com a lindíssima Penélope Cruz como Raimunda. Os dois fazem uma parceria excepcional, onde a mulher forte, guerreira, mãe, bela, cansada mas nunca derrotada, se entrega ao mundo por alguns minutos, em forma de canto, mostrando tudo aquilo que está lá dentro, na alma, na dor e na delícia de ser quem ela é.
        Abaixo o trecho mais intenso de "Volver", quando Raimunda finalmente consegue montar seu reustaurante e começa a construir novamente sua vida, lembra da canção que sua mãe cantava-lhe quando era pequena para dormir. Nessa hora, ela volta a ser uma menina, la niña de tu ojos...




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08/10/2010

         Infelizmente a produtora de Almodóvar e seu irmão, a Deseo, retirou a parte do filme que me referi anteriormente. É uma pena, é uma bela cena, que o mundo todo deveria ver, mas por um lado pode ser bom, aguça a quem se interessa a alugar o filme e curtir todo o longa.
          Fica então a foto desse momento, quando Raimunda, canta...


terça-feira, 6 de outubro de 2009

When You're Strange

        Se eu levasse em conta toda a vontade que eu estou de escrever esse post, ficaria aqui, parágrafos e parágrafos, tentando explicar o porquê vejo tanta coisa em uma banda só.
        Mas como existe algo, uma coisa, uma pessoa, um elemento (são tantas questões acerca dele que até hj não consegui definir o que é) com o nome de Tempo tenho que resumir ao máximo meu deslumbramento, porque enquanto escrevo o danado tá passando...
        The Doors é nome recorrente no vocabulário. Me serve de exemplo e gosto não só em conversas sobre música ou filmes, mas como comportamento, filosofia, atitude, beleza, movimento psicodélico e, por último mas não menos importante, instinto. Aahh... o instinto. Sabe aquele guardado lá no fundo, aquele que você encobre pelas hipócritas convenções sociais, mas que está ali, latente, pedindo para sair como um urro de um leão ecoando pelo infinito da savana? Doors consegue trazer esse leão, alojado, coitado, a tona! As músicas, a expressão corporal, as cores, os conceitos....
Lembra algumas palavras como existencialismo, cores, sensibilidade, “a flor da pele”, intensidade, hedonismo, puro tesão, desejo, revolta, grito e mais algumas que não me recordo agora, ou por não estar ouvindo, não sinto nesse momento.
        O fato é que no último domingo fui ao cinema ver o documentário When You're Strange do Tom DiCillo. O documentário cobre os 54 meses da banda, sendo que a maioria das imagens é inédita, de gravações realizadas entre 1966 e 1970, apresentando shows, filmes de Jim morrison e Ray manzarek e o making off de estúdio.
        Cara... o documentário é muito bom! Em todos os aspectos!
        Roteiro mesclando a banda com os acontecimentos da época, narração do Jhonny Depp (uiaaa..), edição super bem feita e com efeitos irados acentuando o clima da banda... Adorei! Fui ao cinema achando que iria ver mais do mesmo, ou seja, mais daquelas imagens que estamos cansados de ver dos DVD'S e não são.
        Uma parte que gostei muito, foi quando ele falou "isoladamente" de cada um da banda. Bons conceitos, com imagens idem. Pelo o menos, a mim, apetenceu bastante e foi de encontro com o que penso sobre eles...
        Eu já sabia da discordância do Ray Manzareck com o filme The Doors de Oliver Stone. Segundo ele aquele não era o Jim, nem a banda que estava retratada ali, aquilo era um filme que ia de encontro com o imaginário de Stone, e só o dele. Ele falou isso publicamente várias vezes, e com esse documentário ele retoma sua posição, mas diz que esse (o do DiCillo) é verdadeiramente o Doors e uma boa resposta aos desvaneios de Stone.
Concordo que o filme de Stone tenha elementos da sua imaginação, mas a interpretação de Val Kilmer é explendida e as cenas do deserto, de Carmina Burana, dos shows... nossa...
   
        Termino com uma parte de uma música, que me fez cair de amores finalmente por essa banda...

"Before I sink
Into the big sleep
I want to hear
I want to hear
The scream of the butterfly..."
        Me apaixono, toda vez que escuto, porque uma das coisas mais intensas da vida seria, antes de morrer, conseguir isso da letra, ou seja, ouvir o grito da borboleta...
        Animal tão pequeno, belo e frágil.
        Para ouvir seu grito, tem que ser muito intenso, existencial, admirador das coisas simples da vida...
       

domingo, 7 de junho de 2009

Não existiria som se não houvesse o silêncio

        Estava na casa de uma querida amiga quando avistei em uma estante repleta de bons livros (bons mesmo!! que estante, né Anita? =) ) achei um livrinho com algumas poesias do Mário Quintana. Minha mente até agora pensa nessas palavras:

O que faz as coisas pararem no tempo é a saudade.
Amizade- Quando o silêncio a dois não se torna incômodo.
Amor- Quando o silêncio a dois se torna cômodo.
A saudade que dói mais fundo - e irremediavelmente- é a saudade que temos de nós.
Os que fazem amor não estão fazendo apenas amor: estão dando corda no relógio do mundo.
- Mário Quintana

        Me lembrou uma cena de um filme bem conhecido, um romancezinho, daqueles mais maduros, legais de assistir: "9 1/2 Semanas de Amor" (1986), com Mickey Rourke e Kim Basinger.
        Na verdade não há tanto silêncio nessa cena, mas a sonoridade é magnífica! Cada pedaço, líquido, forma que ele apresenta a ela traz uma sensação que só quem está provando pode descrever, mas o som, que antecipa a degustação, já é um ótimo afrodisíaco para essa cena tão bem elaborada e com uma conexão entre os atores muito boa.