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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Olhar de Nós Mesmos

Há um tempo atrás escrevi um extenso post sobre Wim Wenders e seu filme "A Identidade de Nós Mesmos". Ontem comecei a ver o doc "Tokyo Ga", uma viagem de Wenders a Tóquio de Yasujiro Ozu. Por coincidência os dois filmes tem algo japona, já que em "A Identidade de Nós Mesmos" o personagem principal é o estilista japonês Yohij Yamamoto. 

A narração de Wenders, em qualquer um de seus filmes, é afrodisíaca. Seu olhar existencial e sua voz calma e madura aos poucos vão construindo um novo olhar dentro daqueles que veem seus filmes. 
Asiáticos sempre foram conhecidos por sua introspecção, disciplina, tradicionalismos e uma "secura" no tratamento, principalmente para nós brasileiros que ao ver um conhecido nos jogamos em seus braços com um bom e alto "há quanto tempo não te vejo". Para os asiáticos, ou pelo o menos a imagem deles que nos temos, essa vontade de expressar o sentimento seria reprimida a um rápido e cordial baixar a cabeça e voltar.


Win Wenders, assim como Ozu em muito de seus brilhantes filmes, mostra um outro lado asiático, um sorriso escondido, uma gentileza livre, uma alegria atrás da tradição dos cumprimentos e das relações humanas.
Não é fantástico quando temos um olhar sobre algo e outra pessoa ou situação vem e muda completamente a imagem e opinião?
Pelo olhar detalhista e admirável de Wenders é possível, seguido de sua narração então, é ainda mais interessante.

"Tokyo-Ga" começo:



O começo de "A Identidade de Nós Mesmos":






Comercial para as câmeras Leica:


sábado, 2 de abril de 2011

La Piel que Habito

Foi divulgada a primeira imagem oficial do novo longa de Pedro Almodóvar, La Piel que Habito. As filmagens terminaram em janeiro e o lançamento oficial será dia 9 de setembro. Antes disso, o filme será exibido no Festival de Cannes.




O longa é baseado na obra de Thierry Jonquet, 'Tarántula', e conta a história de um cirurgião plástico (Antonio Bandeiras) que após a morte de sua mulher em um acidente de carro se interessa pela produção de uma pela que poderia tê-la salvado. Na verdade o enredo ainda não está muito claro, mas Almodóvar adianta que "Será um filme terror, mas sem sustos e gritarias. Não vou respeitar nenhuma regra do gênero. É o filme mais chocante que já escrevi e o personagem de Bandeiras é brutal!", segundo sua entrevista para o jornal El País.





Agora é esperar, ansiosamente, para ouvir e ver: La Piel que Habito, 
la nueva película de Pedro Almodóvar.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Jean-Baptiste Mondino

     Propagandas de perfumes são tão bem feitas e elaboradas que muita vezes parecem mais um "mini-curta" do que propriamente um simples comercial. Em torno das sensações, elas fogem do convencional marketing trazendo todos os sentidos, ambientes, sensações e desejos que o cheiro do perfume talvez possa proporcionar. Um dos grandes nomes desses comerciais dos anos 90 até hoje é o fotógrafo, diretor e artista plástico francês Jean-Baptiste Mondino.
     Entre os clipes que dirigiu estão artistas como Björk, Madonna, David Bowie, Sting e a "Anticristo" de Lars von Trier, Charlotte Gainsbourg, em seu clipe Beauty Mark. Inclusive é dele o sensacional "Justify My Love" de Madonna postado mês passado aqui no Ensaios. Com ela, Mondino também dirigiu "Open your Heart", "Human Nature", "Love Don't Live Here Anymore", "Don't Tell Me" e "Hollywood". Nas marcas de perfumes e roupas, Clavin Klein, Dolce e Gabbana, Dior, Jean-Paul Gaultier, Chanel, entre outros.
     As fotos de Mondino e seus clipes tem uma coisa em comum: a sedução não fica de mãos dadas com a vulgaridade ou com o comum. Sensualidade que envolve e passa da TV para o sofá levando o cheiro do perfume.

Clique na imagem para ampliar










 



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Somewhere with Coppola

     Sofia Coppola está em todas! Além de ter ganhado o Leão de Ouro no Festival de Veneza desse ano, posou para a capa da Revista Vogue L'Uomo e estréia seu longa vencedor do Festival, "Somewhere", aqui no Brasil.

      Comecei a prestar mais atenção nela depois de "Maria Antonieta", filme que muita gente criticou pelo roteiro "fraco", pois, esperavam a biografia da Rainha. O grande lance do filme é exatamente esse! Ela não se preocupou em contar toda história, da ascensão a queda de Marie Antoinette, Coppola focou em uma parte só, a adolescência, na qual ela se tornou Rainha. O filme é lindo! Não é por menos  ganhou o Oscar de Melhor Figurino em 2006, as roupas são muito fiés as daquela época, entre 1755 até 1800. As filmagens aconteceram no próprio Palácio de Versailles, na França, onde toda história foi verdade, um verdadeiro sonho alguns takes dentro dele...
     Um outro ponto forte do filme é a trilha sonora moderna que inclui The Strokes, Bow Wow Wow, The Cure, Radio Department encaixados perfeitamente no tempo em que se passa a verídica história, no século XVIII. Por exemplo Julio Casablancas que embala o amor de Condo Fersen e Marie Antoinette com sua voz arrastada em What Ever Happened "I wanna be forgotteeeeeeeennn, and I don't wanna be remindeeeeed....."

       Gostei dessa capa da Vogue L'Uomo, vale conferir também a outra, uma versão com Quentin Tarantino.

Kirsten Dunst e Sofia Coppola nas gravações de Maria Antonieta em 2006


                       What Ever Happeeeeend








                      Trailer "Somewhere"

terça-feira, 29 de junho de 2010

'Diagramando' Walter Salles

        Se me perguntarem o motivo pelo qual quero seguir cinema como profissão, uma dos nomes citados na resposta será: Walter Salles. Seu filmes me impactaram e me emocionam até hoje. A nobre mistura entre o real e o ficcional, entre o documentário e o longa-metragem, entre o renomado ator e uma pessoa que nunca fez cinema, essa possibilidade dos dois mundos, muito me cativa.
       Na faculdade, mais precisamente, na matéria de Secretária Gráfica, o trabalho final era fazer uma matéria de revista sobre alguém que você admira como artista. Quem escolhi? Ele, claro! Quando o querido @berthone, minha dupla, gostou da idéia foi só correr pro abraço, quer dizer, para o InDesing :p
Esse foi o resultado final, modestamente, adorei !!! 
Ensaios Brasileiros - Walter Salles
Texto: @yascali Diagramação: @berthone , sua amiga Joana (thanksss) e @yascali de assistente ehehe

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domingo, 27 de junho de 2010

A vida é colorida, a realidade é preto e branca

       Aluguei ontem "A identidade de nós mesmos", do Wim Wenders. Comecei a gostar desse diretor em "No Decurso do Tempo", a admirar em "Um Truque de Luz" e agora a ficar fã com esse filme.
        Em "A Identidade de nós mesmos" Wenders fala sobre a questão da identidade em um mundo com tanta diversidade, do quanto essa diversidade influencia e causa exatamente a perda da identidade, do real, do que é possível, do ser humano e que pior, a identidade está fora da moda. Ele fala sobre isso através de um estilista que muito admira, o japonês Yohji Yamamoto. 
       Uma vez, ao comprar um paletó e uma blusa, Wenders se sentiu tão bem que se assustou. Aquela roupa trouxe uma sensação nostalgica, um cheiro da infância permeou seus sentidos, ao colocar aquela roupa que lhe caiu tão bem. Aquilo o deixou curioso, pois há tempos não se via tão bem no espelho,  viu ali um quê diferente, um quê de realidade, foi assim que chegou até Yamamoto.

Win Wenders e Yohji Yamamoto
       O filme é praticamente um documentário e é meio parado,  tanto o diretor quanto Yamamoto falam calma e pausadamente, o que faz com que o espectador possa digerir aos poucos as informações que recebe. No clima da Copa eu estava mais era pra "Missão Impossível" (com esse time...voltando!) mas esse me chamou bastante atenção não só pelo todo, pelos takes aonde tinham três imagens diferentes ao mesmo tempo (só vendo para ver como ficou boa essa montagem) e pela forma como Yohji toca seu trabalho. Fica clara o porque da admiração de Wenders pelo estilista e em uma parte do filme acontece essa seguinte situação:

Wenders (locução): - Perguntei a Yohji sobre estilo. Como ele poderia apresentar uma dificuldade enorme para criatividade... O estilo podia se tornar uma prisão, uma sala de espelhos onde você só consegue se espelhar e se imitar. Yohji disse que conhecia bem esse problema, e que claro, havia caído nessa prisão.
"Escapei dela - ele disse - quando aprendi a aceitar o meu estilo e de repente, a prisão se abrira."
Isso para mim é um autor: alguém que, para começar, tem algo a dizer, que sabe se expressar com sua própria voz e que finalmente encontra em si a força e a insolência necessária para se tornar o guardião de sua prisão, e não continuar prisioneiro.

Essa parte é sensacional
Por quantas vezes repetimos os mesmos pensamentos, permanecemos nas mesmas dúvidas, com medo de estabelecer um pensamento final.  
Por quantas vezes desejamos ser aquilo que não somos, aquilo que não temos, aquilo que parece ser mais bonito, colorido, prazeroso, mas que no final tem as mesmas dúvidas, insatisfações, angústias que nós. Apenas se apresenta mais colorido, e por assim sendo, não é real.
Se pegarmos o que temos em nós e aceitarmos como o melhor que podemos ser e oferecer, com certeza a mente abre para que aquilo sofra, ou melhor, ganhe, uma explosão de criatividade, de beleza, de satisfação, fazendo com que possamos nos surpreender com nós mesmos! É como se o caminho antes ocupado pelo desejo de ser outro (obs: não confunda ser o outro com mudar a si próprio..) fosse uma verdadeira prisão e ao reconhcer aquilo que se tem e fazer o melhor com isso,  você se torna o guardião do conhecimento, saindo do lugar de prisioneiro para o do ser livre.
Yamamoto é um dos mais bem conceituados estilistas dessa época e seu trabalho se destaca não por detalhes exuberantes, modelos dignos de Grécia antiga ou status, mas sim porque simplismente as roupas caem bem nas pessoas, afinal, aquelas que as vestem, são reais. 
"A vida é colorida, mas a realidade é preto e branco" é uma frase dita em outro filme do Wenders, o qual ainda não assiti, mas será minha próxima locação. Não preciso comentar mais nada, ela resume o modesto parágrafo que acabei de escrever...

Abaixo o trecho do filme no qual essa parte acontece:

       
       No próximo post vou abordar essa questão do ser, da roupa, do corpo real. Ela também é trabalhada no filme e vale trazer aqui, só que estou cansada e amanhã tem jogo, quero tocer bastante!
Depois que o colorido da Copa passar, volto para o preto e branco da vida...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Truufaut e o cinema aos vinte anos

        Depois de ver Antoine Doinel correndo para o mar, é impossível esquecer François Truffaut. E se você viu esse filme pela primeira vez há alguns meses, ainda o está digerindo... Uns dias lembra, outros não...
        Circulando por ai achei uma matéria curtinha, mas muito bacana, no blog ionCine sobre os 55 anos de morte do Truffaut. Na verdade a matéria é original do Le Figaro, foi traduzida pelo New Yorker e depois pelo Ioncine. 
     Fiquei ainda mais admirada com esse cineasta: além da câmera apaixonada, tem paixão na opinião. Quando digo paixão não é aquela que arde, mas a é que constitui o indivíduo, uma paixão mais ligada a essência pessoal. Truffaut tem uma linguagem bastante não-verbal com sua direção e agora se mostra verbal também.

O vídeo está em francês, mas o começinho está aqui traduzido:

Quando o cinema foi inventado, ele interessava a pessoas jovens. Abel Gance, D.W. Griffith, essas pessoas tinham 18, 20 ou 22 anos quando começaram. Cecil B. DeMille era jovem quando começou a fazer filmes na California. Ai, provavelmente por causa da invenção do som, filmes ficaram caros, e eles decidiram que não podiam dar tanto dinheiro para homens jovens… eles não podiam confiar tanto dinheiro para ninguém com menos de 45 anos. Acho que foi por isso que o cinema virou tão solene. Essa era a única coisa que tínhamos em comum com os nossos artigos e campanhas na Cahiers du Cinéma – Dizer que poderiamos fazer filmes com 20 anos, como Raumond Radiguet que escreveu “Le Diable au Corps” com 16… Veja [Alain] Resnais, que faz coisas perfeitas, mas é uma pena que ele não começou antes. Eu tenho certeza que ao invés de começar com uma obra prima como “Hisroshima [Mon Amour]“, ele teria feito filmes menos perfeitos, mas extremamente passionais se ele tivesse começado aos 20 anos. Em um primeiro filme como Acossado, tem a força de um primeiro filme, mas também a força de um jovem realizador. Eu não acho que é possível realizar “Acossado” com 40 anos, é impossível.


Grande personne !

segunda-feira, 12 de abril de 2010

30 anos sem Hitchcock




        Fazem três décadas que o grande mestre do suspense nos deixou, o rechonchudo e irônico Alfred Hitchcocok. Com mais de 60 filmes, o diretor até hoje conquista uma legião de fãs, que ao entrarem em contato com a as primeiras imagens de suas películas, mergulham compulsivamente em sua filmografia. 
        Nascido na Inglaterra, começou a filmar em seu país de origem, tendo sido injustamente relegado esse período, pois ótimos filmes foram feitos, como "Os 39 Degraus" de 1935 e "A Dama Oculta" de 1938. 
Chegou em Hollywood por meio do produtor David Selznick, que lhe exigiu prestar mais atenção ao psicológico de seus personagens, resultando em um real tratado  de paranóia e mist´riao angustiante das aparências. Fruto disso, são os seus filmes mais famosos, como "Suspeita" de 1941, "Um Corpo que Cai" de 1958 e "Intriga Internacional" de 1959. Não menos merecedor de destaque, mas tão bom que merece ser escrito sozinho, o genial "Psicose" de 1960.
        O canal a cabo TCM está fazendo esse mês uma homenagem ao mestre exibindo todas as quartas e sábados de Abril, á partir das 22 horas uma apresentação dupla de filmes. O site da programação está muito bacana, vale a pena conferir, só clicar aqui.



quinta-feira, 18 de março de 2010

Até onde o cinema te leva?

        Então, até onde o cinema te leva?
       Ai você me pergunta: na imaginação ou na vida real?
       E eu te respondo: na imaginação é uma pergunta com resposta infinita, mas na realidade ele pode te levar mais perto do que você imagina...
       Dando uns giros cinematográficos pela net, encontrei esse site que é bem bacana, é o The Worldwide Guide to Movie Locations. Nele você encontra um guia de viagens baseado em locações de filmes em todo o mundo. Na própria descrição do site eles perguntam se você já se fez aquela pergunta: mas aonde eles filmaram isso?

       A idéia inicial é do Tony Reeves, fã e cinema, depois de oito anos vendo filmes, pesquisando, lendo revistas especializadas e viajando atrás das locações (vida chata essa... ehehe), colocou todo o material em dois livros: The Worldwide Guide to Movie Locations e Movie London, esse último com locações somente na cidade de Londres. Aqui no Brasil achei eles no site da Saraiva, o preço dos dois gira em torno de cinquenta reais, só não sei se são traduzidos, pois não tem essa informação no site.

       Parece ser bem bacana o guia! No site nem todos os filmes, diretores e atores apresentandos são links. Não sei se é porque está em construção ou para forçar o cinéfilo a comprar o livro. Mas pesquei um aqui que com certeza vou ver !!

       O Último Tango em Paris, a obra-prima de Bertolucci tem suas locações em Paris... ahh... Paris... Voltando! Então por exemplo, o portão do prédio que vos falo:


                                É esse daqui, que se situa na Rue de l'Alboni em Passy, Paris:

A ponte aonde Paul conhece Jeanne:

Essa ponte fica bem próxima do prédio, também em Passy,
se chama Pont de Bir-Hakeim:


        Vale a pena conferir o site, juntar uma boa grana e sair por ai, chegando mais perto da imaginação que os filmes podem trazer e cem por cento perto da realidade de quem já fez daquele lugar uma história a se contar.
        
         Mesmo assim, insisto em perguntar, até onde o cinema pode te levar ?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres & Cinema - 1


         Hoje é Dia Internacional da Mulher. Eu não gosto muito desse papo de dia disso, dia daquilo, acho que todo dia é dia para valorizar quem temos ao lado, mas vou aproveitar esse barco e começar uma série de postagens que a tempos estou para escrever: a mulher e o cinema.
        Para começar, nada mais feminino e, até mesmo clichê, que o cinema de Almodóvar.
        Almodóvar e suas mulheres são dois elementos únicos no cinema. Forte, intenso e bastante fiel a muitos desejos e comportamentos femininos, o diretor espanhol sabe como dirigir suas atrizes principais.
        Falar dele, é falar de poucos homens que conseguem falar sobre a mulher "parecendo" ser uma, devido sua sensibilidade em captar a essência daquelas que muitas vezes são chamadas de "complicadas", mas na verdade carregam o mundo em seus corações.
        Outra pessoa que penso ter esse tipo de "magia" é Chico Buarque. Acho que é por isso que ao final de seu show no Canecão vi centenas de mulheres, completamente embriagadas de admiração e voltando aos tempos de adolescência ao se debruçarem no palco a chorar e berrar por um cara baixinho, narigudo e bem coroa. Tenho certeza que muitos maridos que estavam ali e ficaram sozinhos no camarote fizeram a pergunta: "o que esse cara tem??" Nem ouso responder...
        Um dos mais famosos filmes de Almodóvar é "Volver"(2006), filme que conta com a lindíssima Penélope Cruz como Raimunda. Os dois fazem uma parceria excepcional, onde a mulher forte, guerreira, mãe, bela, cansada mas nunca derrotada, se entrega ao mundo por alguns minutos, em forma de canto, mostrando tudo aquilo que está lá dentro, na alma, na dor e na delícia de ser quem ela é.
        Abaixo o trecho mais intenso de "Volver", quando Raimunda finalmente consegue montar seu reustaurante e começa a construir novamente sua vida, lembra da canção que sua mãe cantava-lhe quando era pequena para dormir. Nessa hora, ela volta a ser uma menina, la niña de tu ojos...




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08/10/2010

         Infelizmente a produtora de Almodóvar e seu irmão, a Deseo, retirou a parte do filme que me referi anteriormente. É uma pena, é uma bela cena, que o mundo todo deveria ver, mas por um lado pode ser bom, aguça a quem se interessa a alugar o filme e curtir todo o longa.
          Fica então a foto desse momento, quando Raimunda, canta...


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fogos de artifício que não queimam


        Uma vez um amigo (Rudááá) me enviou um trecho de um livro que ele dizia lembrar-se de mim quando lia. E que bom que lembrou.

        O fato é que se tratava do livro On the Road, escrito pelo Jack Kerouac e lançado em 1957. Foi sucesso e passou a ser chamado de "bíblia hippie" na época, pois sua inspiração veio de da viagem que fez, por sete anos percorrendo a rota 66, que cruza os EUA na direção leste-oeste, com descidas freqüentes ao México. Mas antes de On the Road, Kerouac tentou escrever um romance, falando sobre os tormentos que sofria para equilibrar a vida selvagem da cidade com os seus valores do velho mundo.
        Forte influenciador do movimento beatnik, um pouco antes da sua morte sai da cidade e decide se isolar do convívio humano. Subiu até o alto de uma colina e passou longos dias sozinho confinado em uma cabana sem eletricidade e sem vidros nas janelas. Tomava quase uma garrafa de bebida por dia e sofreu com alucinações e paranóias.
        Morreu com 47 anos de hemorragia causada pela ingestão de bebidas.

        Porque as pessoas que escrevem bem, sobre assuntos diferentes, de forma diferente, para pessoas diferentes... Geralmente terminam dessa forma? Com a palavra Edgar Allan Poe: "Muitas pessoas já me caracterizaram como louco, resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência".

"(...) sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, agora, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante — pop! — pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos “aaaaaaah!”"

-- Jack Kerouac, On the road

        Nesse momento Walter Salles está terminando a pós-produção do seu próximo filme, que será o On the Road do Kerouac. A ansiedade só não consegue ser maior porque já não cabe dentro de mim mesma...