Mostrando postagens com marcador documentário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador documentário. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Olhar de Nós Mesmos

Há um tempo atrás escrevi um extenso post sobre Wim Wenders e seu filme "A Identidade de Nós Mesmos". Ontem comecei a ver o doc "Tokyo Ga", uma viagem de Wenders a Tóquio de Yasujiro Ozu. Por coincidência os dois filmes tem algo japona, já que em "A Identidade de Nós Mesmos" o personagem principal é o estilista japonês Yohij Yamamoto. 

A narração de Wenders, em qualquer um de seus filmes, é afrodisíaca. Seu olhar existencial e sua voz calma e madura aos poucos vão construindo um novo olhar dentro daqueles que veem seus filmes. 
Asiáticos sempre foram conhecidos por sua introspecção, disciplina, tradicionalismos e uma "secura" no tratamento, principalmente para nós brasileiros que ao ver um conhecido nos jogamos em seus braços com um bom e alto "há quanto tempo não te vejo". Para os asiáticos, ou pelo o menos a imagem deles que nos temos, essa vontade de expressar o sentimento seria reprimida a um rápido e cordial baixar a cabeça e voltar.


Win Wenders, assim como Ozu em muito de seus brilhantes filmes, mostra um outro lado asiático, um sorriso escondido, uma gentileza livre, uma alegria atrás da tradição dos cumprimentos e das relações humanas.
Não é fantástico quando temos um olhar sobre algo e outra pessoa ou situação vem e muda completamente a imagem e opinião?
Pelo olhar detalhista e admirável de Wenders é possível, seguido de sua narração então, é ainda mais interessante.

"Tokyo-Ga" começo:



O começo de "A Identidade de Nós Mesmos":






Comercial para as câmeras Leica:


domingo, 27 de junho de 2010

A vida é colorida, a realidade é preto e branca

       Aluguei ontem "A identidade de nós mesmos", do Wim Wenders. Comecei a gostar desse diretor em "No Decurso do Tempo", a admirar em "Um Truque de Luz" e agora a ficar fã com esse filme.
        Em "A Identidade de nós mesmos" Wenders fala sobre a questão da identidade em um mundo com tanta diversidade, do quanto essa diversidade influencia e causa exatamente a perda da identidade, do real, do que é possível, do ser humano e que pior, a identidade está fora da moda. Ele fala sobre isso através de um estilista que muito admira, o japonês Yohji Yamamoto. 
       Uma vez, ao comprar um paletó e uma blusa, Wenders se sentiu tão bem que se assustou. Aquela roupa trouxe uma sensação nostalgica, um cheiro da infância permeou seus sentidos, ao colocar aquela roupa que lhe caiu tão bem. Aquilo o deixou curioso, pois há tempos não se via tão bem no espelho,  viu ali um quê diferente, um quê de realidade, foi assim que chegou até Yamamoto.

Win Wenders e Yohji Yamamoto
       O filme é praticamente um documentário e é meio parado,  tanto o diretor quanto Yamamoto falam calma e pausadamente, o que faz com que o espectador possa digerir aos poucos as informações que recebe. No clima da Copa eu estava mais era pra "Missão Impossível" (com esse time...voltando!) mas esse me chamou bastante atenção não só pelo todo, pelos takes aonde tinham três imagens diferentes ao mesmo tempo (só vendo para ver como ficou boa essa montagem) e pela forma como Yohji toca seu trabalho. Fica clara o porque da admiração de Wenders pelo estilista e em uma parte do filme acontece essa seguinte situação:

Wenders (locução): - Perguntei a Yohji sobre estilo. Como ele poderia apresentar uma dificuldade enorme para criatividade... O estilo podia se tornar uma prisão, uma sala de espelhos onde você só consegue se espelhar e se imitar. Yohji disse que conhecia bem esse problema, e que claro, havia caído nessa prisão.
"Escapei dela - ele disse - quando aprendi a aceitar o meu estilo e de repente, a prisão se abrira."
Isso para mim é um autor: alguém que, para começar, tem algo a dizer, que sabe se expressar com sua própria voz e que finalmente encontra em si a força e a insolência necessária para se tornar o guardião de sua prisão, e não continuar prisioneiro.

Essa parte é sensacional
Por quantas vezes repetimos os mesmos pensamentos, permanecemos nas mesmas dúvidas, com medo de estabelecer um pensamento final.  
Por quantas vezes desejamos ser aquilo que não somos, aquilo que não temos, aquilo que parece ser mais bonito, colorido, prazeroso, mas que no final tem as mesmas dúvidas, insatisfações, angústias que nós. Apenas se apresenta mais colorido, e por assim sendo, não é real.
Se pegarmos o que temos em nós e aceitarmos como o melhor que podemos ser e oferecer, com certeza a mente abre para que aquilo sofra, ou melhor, ganhe, uma explosão de criatividade, de beleza, de satisfação, fazendo com que possamos nos surpreender com nós mesmos! É como se o caminho antes ocupado pelo desejo de ser outro (obs: não confunda ser o outro com mudar a si próprio..) fosse uma verdadeira prisão e ao reconhcer aquilo que se tem e fazer o melhor com isso,  você se torna o guardião do conhecimento, saindo do lugar de prisioneiro para o do ser livre.
Yamamoto é um dos mais bem conceituados estilistas dessa época e seu trabalho se destaca não por detalhes exuberantes, modelos dignos de Grécia antiga ou status, mas sim porque simplismente as roupas caem bem nas pessoas, afinal, aquelas que as vestem, são reais. 
"A vida é colorida, mas a realidade é preto e branco" é uma frase dita em outro filme do Wenders, o qual ainda não assiti, mas será minha próxima locação. Não preciso comentar mais nada, ela resume o modesto parágrafo que acabei de escrever...

Abaixo o trecho do filme no qual essa parte acontece:

       
       No próximo post vou abordar essa questão do ser, da roupa, do corpo real. Ela também é trabalhada no filme e vale trazer aqui, só que estou cansada e amanhã tem jogo, quero tocer bastante!
Depois que o colorido da Copa passar, volto para o preto e branco da vida...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

É Tudo Verdade !

      
                         

        Começa hoje a 15º edição do Festival de Documentários da América Latina, o É Tudo Verdade 2010.
      Em suas bodas de cristal o Festival vem recheado de filmes inéditos e com nomes de peso na grade da programação. Entre 8 e 18 de Abril, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, os apreciadores da sétima arte poderão conferir 71 documentários de curta, média e longa-metragem de 27 países, sendo 18 brasileiros inéditos.  


Filmes que competem na categoria "Longas Internacionais"

      O festival surgiu com a vontade do fundador Amir Labaki de reunir de uma vez só todos os documentários produzidos no Brasil e no mundo. No primeiro ano foram 40 documentários brasileiros inscritos, esse ano foram 450. Isso evidencia o crescimento da industria audiovisual no Brasil e, felizmente, um boom nas produções independentes.
      Ao meu ver, esse crescimento tem como alavanca a tecnologia, que está cada vez mais fácil e acessível. Antes, com a película e até mesmo com as primeiras fitas, quem tinha acesso ao equipamento cinematográfico era rico ou tinha um grande patrocinador por trás. Hoje com os preços mais em conta, o vídeo digital, a internet e até mesmo o tamanho e peso das câmeras, está muito mais fácil de realizar o famoso bordão "uma idéia na cabeça e uma câmera na mão". Muita gente critica essa acessibilidade, falando de banalização, "mais do mesmo", falta de arte e amor ao cinema... Eu acho que isso, como muitas coisas na vida, não é a ferramenta que tem a responsabilidade pelo o que está sendo produzido, o problema é de quem opera, dentro desse quadro e possível sair tanto coisas boas quanto ruins, nos cabe é filtrar.
     Fico muito feliz quando vejo essas mostras, festivais, ou qualquer evento que tenha como intenção juntar para apreciar e discutir qualquer tipo de arte, isso nos enriquece tanto... Sem falar na quebra da rotina, tão massacrada, ai sim, pelo mais do mesmo e que quase nos faz esquecer de cores, formas, pessoas, idéias, movimentos, expressões diferentes. Como minha amiga Juzão diz: " estou sempre na campanha contra a mediocridade"...
     Confesso que não estou tão por dentro dos filmes, deixo aqui o link com a programação completa do Festival, que aliás, está muito bem feito!
      
      Os filmes selecionados para melhor longa e média-metragem brasileiros são:

- "Arquitetos do poder", de Vicente Ferraz e Alessandra Aldé;
- "O Contestado – Restos mortais", de Sylvio Back;
- "Eu, o vinil e o resto do mundo", de Lila Rodrigues e Karina Ades;
- "Fora de campo", de Adirley Queirós
- "Manual prático de como ter sucesso na política brasileira", de Felipe Lacerda
- "Programa Casé – O que a gente não inventa, não existe", de Estevão Ciavatta
- "Terra deu, terra come", de Rodrigo Siqueira

     E os curta-metragem são:

- "Acontecências" - ALICE VILLELA, HIDALGO ROMERO
- "As Aventuras de Paulo Bruscky" - GABRIEL MASCARO
- "Bar da Estação" - LEO AYRES
- "Bernnô" - PEDRO GORSKI
- "Karl Max Way" - FLAVIA GUERRA, MAURÍCIO OSAKI
- "Mãos de Outubro" - VITOR SOUZA LIMA
- "Querida Mãe" - PATRICIA CORNILS
- "Se Meu Pai Fosse de Pedra" - MARIA CAMARGO
- "Xetá" - FERNANDO SEVERO

       O Rio está cheio de motivos para você sair de casa e aproveitar o final de semana!! Claro, é só não chover...  

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cultne

        Recebi pelo e-mail do trabalho uma dica de um site bem legal, é o Cultne - Acervo Digital de Cultura Negra. A idéia do site é reunir o máximo de material digital sobre a cultura negra e os acontecimentos ao longa da história do negro no país.
Os vídeos estão disponibilizado para serem vistos e para pesquisas e edições que o usuário deseje fazer, pois você pode baixar o conteúdo do site livremente, sem ter futuros problemas com direitos autorais.

      Ainda não tive tempo de ver o site com calma, mas achei muito boa a idéia e fico feliz que coisas assim ganhe espaço no meio virtual. Outra boa idéia seria fazer um acervo indígena também, essa cultura tem rituais, valores, cores, músicas lindíssimas e também faz parte da nossa mistura.

        Fica o registro do figuraça Grande Otelo, no Centenário da Abolição:



          E por falar nessa figura, outro dia eu estava na faculdade e surgiu na conversa o outro figuraça do Mussum, nossa, como eu rachava o bico com esse cara, mesmo bem pequena!! auhauhaua Ele é o melhor!! Deu uma saudade e fui no youtube ver uns vídeos, esse é um dos mais conhecidos, mas eu me amarro nele! O cara é mto cara de pau, brother.. mto bom auhauhahua




     AHAHAHHA

terça-feira, 6 de outubro de 2009

When You're Strange

        Se eu levasse em conta toda a vontade que eu estou de escrever esse post, ficaria aqui, parágrafos e parágrafos, tentando explicar o porquê vejo tanta coisa em uma banda só.
        Mas como existe algo, uma coisa, uma pessoa, um elemento (são tantas questões acerca dele que até hj não consegui definir o que é) com o nome de Tempo tenho que resumir ao máximo meu deslumbramento, porque enquanto escrevo o danado tá passando...
        The Doors é nome recorrente no vocabulário. Me serve de exemplo e gosto não só em conversas sobre música ou filmes, mas como comportamento, filosofia, atitude, beleza, movimento psicodélico e, por último mas não menos importante, instinto. Aahh... o instinto. Sabe aquele guardado lá no fundo, aquele que você encobre pelas hipócritas convenções sociais, mas que está ali, latente, pedindo para sair como um urro de um leão ecoando pelo infinito da savana? Doors consegue trazer esse leão, alojado, coitado, a tona! As músicas, a expressão corporal, as cores, os conceitos....
Lembra algumas palavras como existencialismo, cores, sensibilidade, “a flor da pele”, intensidade, hedonismo, puro tesão, desejo, revolta, grito e mais algumas que não me recordo agora, ou por não estar ouvindo, não sinto nesse momento.
        O fato é que no último domingo fui ao cinema ver o documentário When You're Strange do Tom DiCillo. O documentário cobre os 54 meses da banda, sendo que a maioria das imagens é inédita, de gravações realizadas entre 1966 e 1970, apresentando shows, filmes de Jim morrison e Ray manzarek e o making off de estúdio.
        Cara... o documentário é muito bom! Em todos os aspectos!
        Roteiro mesclando a banda com os acontecimentos da época, narração do Jhonny Depp (uiaaa..), edição super bem feita e com efeitos irados acentuando o clima da banda... Adorei! Fui ao cinema achando que iria ver mais do mesmo, ou seja, mais daquelas imagens que estamos cansados de ver dos DVD'S e não são.
        Uma parte que gostei muito, foi quando ele falou "isoladamente" de cada um da banda. Bons conceitos, com imagens idem. Pelo o menos, a mim, apetenceu bastante e foi de encontro com o que penso sobre eles...
        Eu já sabia da discordância do Ray Manzareck com o filme The Doors de Oliver Stone. Segundo ele aquele não era o Jim, nem a banda que estava retratada ali, aquilo era um filme que ia de encontro com o imaginário de Stone, e só o dele. Ele falou isso publicamente várias vezes, e com esse documentário ele retoma sua posição, mas diz que esse (o do DiCillo) é verdadeiramente o Doors e uma boa resposta aos desvaneios de Stone.
Concordo que o filme de Stone tenha elementos da sua imaginação, mas a interpretação de Val Kilmer é explendida e as cenas do deserto, de Carmina Burana, dos shows... nossa...
   
        Termino com uma parte de uma música, que me fez cair de amores finalmente por essa banda...

"Before I sink
Into the big sleep
I want to hear
I want to hear
The scream of the butterfly..."
        Me apaixono, toda vez que escuto, porque uma das coisas mais intensas da vida seria, antes de morrer, conseguir isso da letra, ou seja, ouvir o grito da borboleta...
        Animal tão pequeno, belo e frágil.
        Para ouvir seu grito, tem que ser muito intenso, existencial, admirador das coisas simples da vida...